terça-feira, outubro 13, 2026
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O CASO CARLINHOS: O menino sequestrado aos 10 anos que desapareceu sem deixar rastros

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Carlinhos à época em que desapareceu tinha dez anos. (Foto: reprodução – Google)

Na noite chuvosa de 2 de agosto de 1973, 53 anos atrás, um crime abalou o Rio de Janeiro e deu início a um dos casos de desaparecimento mais misteriosos da história brasileira. Carlos Ramires da Costa, conhecido como Carlinhos, tinha apenas 10 anos quando foi levado de dentro da própria casa. Mais de cinco décadas depois, seu paradeiro continua desconhecido.

A noite em que Carlinhos desapareceu

Por volta das 20h35, Carlinhos assistia à novela Cavalo de Aço, da TV Globo, na sala de sua casa, na Rua Alice, no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro. Ao seu lado estavam a mãe, Maria da Conceição, e quatro de seus irmãos.

De repente, a energia elétrica foi interrompida. Poucos segundos depois, um homem jovem, negro, vestindo uma blusa vermelha e uma bermuda azul-marinho, com cabelo no estilo black power, invadiu a residência armado.

Ele pediu especificamente pelo filho mais novo que estava na casa. Em seguida, trancou a mãe e os irmãos no banheiro e saiu levando Carlinhos.

O pai do menino, João Mello da Costa, empresário do setor farmacêutico em Duque de Caxias, havia saído momentos antes com os dois filhos menores e não presenciou o sequestro.

Antes de fugir, o criminoso deixou um bilhete escrito à mão, exigindo 100 mil cruzeiros pelo resgate.

No dia seguinte, o rosto de Carlinhos estampava a capa do jornal O Globo. O caso ganhou repercussão nacional, e a família passou a viver dias de angústia na expectativa de receber o menino de volta.

Na madrugada de 4 de agosto, o pai depositou o dinheiro em uma caixa de cimento, no local indicado pelo sequestrador. Policiais disfarçados de vendedores de sorvete e pipoqueiros estavam espalhados pela região, preparados para agir.

Mas ninguém apareceu para buscar o dinheiro.

E Carlinhos nunca voltou para casa.

Uma investigação marcada por acusações e contradições

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Primeira página do jornal do O Globo – agosto de 1973. (Imagem: Google – Reprodução)

Com o passar do tempo, o caso se transformou em um emaranhado de suspeitas.

Um homem chamado Adilson de Oliveira chegou a confessar o sequestro e acusou o pai do menino de ser o mandante. Segundo sua versão, João estaria enfrentando dificuldades financeiras e teria planejado o crime para conseguir o dinheiro do resgate.

João chegou a ser preso, mas foi colocado em liberdade no dia seguinte, após obter um habeas corpus. A confissão de Adilson foi posteriormente contestada, e a suposta participação do pai nunca foi comprovada.

Quatro anos depois do desaparecimento, novas informações voltaram a movimentar a investigação.

Um detetive particular, Bechara Jalkh, revelou ao jornal O Globo que exames grafotécnicos apontariam Sílvio Azevedo Pereira, funcionário da empresa de João, como o autor do bilhete de resgate.

Vera Lúcia, irmã mais velha de Carlinhos, afirmou que reconheceu Sílvio como o homem que levou o menino. Segundo ela, porém, o próprio pai a proibiu de falar sobre o assunto.

Sílvio chegou a ser condenado a 13 anos de prisão em primeira instância, mas recorreu e acabou absolvido.

Apesar das suspeitas e das versões apresentadas ao longo dos anos, nenhuma delas conseguiu esclarecer definitivamente o que aconteceu com Carlinhos.

Mais de 50 anos de perguntas sem respostas

Ao longo das décadas, diversos homens apareceram afirmando ser Carlinhos. Todos foram submetidos a exames de DNA, mas nenhum teve a identidade confirmada.

Em 2024, uma nova versão sobre o caso voltou a chamar a atenção. Segundo relatos divulgados naquele período, Maria da Conceição teria afirmado que o próprio marido planejou o sequestro do filho para quitar dívidas.

Essa alegação, entretanto, não deve ser confundida com uma conclusão judicialmente comprovada.

Outra hipótese levantada ao longo do tempo atribuiu à própria mãe a suposta participação no desaparecimento. De acordo com essa teoria, ela pretendia fugir com um homem ligado a um terreiro de umbanda e levar Carlinhos consigo. O plano teria saído do controle, e o menino poderia ter sido morto.

Mas essa também é uma versão não comprovada. Não há confirmação definitiva sobre quem teria planejado o crime, o que aconteceu depois que Carlinhos foi levado ou se ele ainda está vivo.

O que aconteceu com Carlinhos?

O menino que desapareceu aos 10 anos teria hoje, em outubro de 2026, 63 anos.

Seu caso atravessou gerações, acumulou suspeitos, confissões contestadas e teorias jamais comprovadas. Mesmo com toda a repercussão e as décadas de buscas, nenhuma resposta definitiva foi capaz de revelar seu destino.

Carlinhos saiu de casa naquela noite de agosto de 1973 e nunca mais foi visto de forma confirmada.

Mais de cinco décadas depois, a pergunta continua a mesma: onde está Carlinhos?

Fonte: Portal Casos Reais / Rio de Janeiro