Faleceu Benito de Paula, a voz de quem conheceu todos os amores, inclusive os impossíveis

A morte cometeu ontem, domingo, 18 de outubro, uma grosseria imperdoável: levou Benito di Paula. E se há qualquer coisa de profundamente injusto no mundo é saber que aquele piano já não será tocado pelas mãos do seu dono.
Nascido em Nova Friburgo, município da região Serrana Fluminense onde residia, recebeu de seus pais o nome de Uzaid Vellozo.
Benito tinha os cabelos de um homem que nunca fez as pazes com o pente. E a voz de quem conheceu todos os amores, inclusive os impossíveis.
Cantava como quem abria o peito diante de uma mulher. Sofria, apaixonava-se, bebia da própria saudade. E, quando ninguém mais acreditava no amor, lá vinha ele, com seu piano, provar que ainda valia a pena.
Era o homem de “Retalhos de Cetim”, de “Charlie Brown”, de tantas canções que fizeram o brasileiro namorar, chorar, perdoar e começar tudo outra vez.
E, como todo bom brasileiro, também tinha o futebol correndo nas veias.
Na imagem, postada por ele em 2003, veste orgulhosamente o azul do Bangu. Mas também revelou sua paixão pelo Flamengo. Afinal, quem disse que o coração de um sambista precisa obedecer aos limites da razão?
Benito faleceu aos 84 anos, em São Paulo, no Hospital 9 de Julho, em decorrência de complicações de um câncer de próstata. Partiu deixando milhões de brasileiros com aquela sensação terrível de quem perdeu um velho amigo. Mesmo aqueles que nunca lhe apertaram a mão.
Fonte e foto: Jornbal dos Sportes



