Além Paraíba perdeu Denilson Gomes Ribeiro, o Peca, filho dileto do bairro Morro da Conceição
Por Flávio Senra (*)

Na noite do último sábado, dia 24 de outubro, por volta de 23 horas, o bairro Morro da Conceição foi tomado de surpresa com a trista notícia de que um de seus filhos, Denilson Gomes Ribeiro, o Peca, 59 anos, falecera após longo tempo lutando contra um câncer.
Filho do saudoso casal Luiz Gomes Ribeiro, ferroviário e músico que integrou e foi maestro da Sociedade Musical Carlos Gomes, e de Armandina Gomes Ribeiro, Peca era irmão de Venilton, Lula, Heleny e Denise, era solteiro e tinha um filho, Tadeu, que residia no Rio de Janeiro. Foi aluno do Senai de Porto Novo, onde concluiu o curso profissionalizante de soldador. Em 1985, ao atingir a maioridade, serviu na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
Assim como os irmãos Venilton e Lula, Peca atuou na área de comunicação nas emissoras de rádio alemparaibanas Cultura de Porto Novo, hoje CPN, 102,7 FM e Juventude, tendo passagens também na Rádio Globo e Rádio Rio de Janeiro.
Torcedor doente do Fluminense Futebol Clube, aliás chato pra caramba (kkkkk), sagaz, crítico e de um humor que chamava a atenção, certa ocasião, pelos idos de ano de 1994, apresentou uma sugestão ao editor do Jornal Além Parahyba, Flávio Senra, no sentido de que fosse criada uma coluna no então quinzenal veículo de comunicação alemparaiabano cujo teor seria voltado ao humor, narrando coisas e causos sobre o município alemparaibano que seria tratado pela alcunha de “Sitiozinho”, então governado à época pelo ex-prefeito Fernando Lúcio Ferreira Donzeles que seria tratado por “Bigodudo” – à ocasião, Fernando exibia um vistoso e grosso bigode na face.
Na edição nº 37 do Jornal Além Parahyba que circulou em 15 de dezembro de 1994, na sua terceira fase iniciada em junho de 1993, o nosso agora sempre saudoso Denilson Gomes Ribeiro, o Peca, fez sua estreia na coluna que idealizara e tinha por finalidade levar um pouco mais de humor aos nossos leitores. E com a irreverência que lhe era peculiar, apresentou ao público leitor do veículo de comunicação alemparaibano o personagem de nome Dutis Mineli, aquele que era, seria ou nunca foi, que retratava ironicamente o dia-a-dia na nossa Além Paraíba. Sua coluna ganhou o título de “Causos d’Além”, e preencheu um espaço durante várias edições até que, por motivos de ordem particulares, inclusive por estar residindo em outra cidade, foi, como ele diria, pro espaço deixando saudades.
Em sua aparição pela primeira vez, sua crônica recebeu por título “Até quando eu poderei continuar escrevendo, que de imediato chamou a atenção dos leitores que chegaram até a perguntar por quanto tempo mais aquele coluna ia continuar. “Isso vai dar processo!”, foi a tônica principal da maioria de nossos leitores dando boas gargalhadas.
Entre as várias crônicas levadas no Jornal Além Parahyba, escolhemos uma para lembrar a irreverência, a sagacidade e humor irônico de Peca, que nos dias de hoje, repleto de mi-mi-mis, certamente receberia repúdio e contestação por parte de um bando de falsos moralistas. A crônica foi publicada na edição nº 49, de 15 de junho de 1995, e teve por título “Era ou não era, pô?”, e era assim..
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“Abro o jornal e deparo com a notícia de que o velho Zumbi dos Palmares era um baita gay. Honestamente estou estarrecido com o afrescalhado assunto. Já pararam pra pensar no caso? Imaginem aquele baita “negão”, um metro e noventa e cinco centímetros de altura, um metro e meio de bíceps, 125 quilos de músculos bem distribuídos, nariz tipo forno de padaria, sentando num kibe? Imaginação à parte, se for verdade que o “Zumba” gostava de uma piaba, dá para entender o porquê da palavra PALMARES, que no entendimento de muitos e na verdadeira concepção da palavra, seria Pau-Mares, que quer dizer Pau Pra Caramba.
Mas quem está espalhando esta notícia é certo senhor (imaginem!), que além de bicha é também professor na Bahia, e , até as 18 horas, atende pelo nome de Luiz Mott. O dito professor, que nas horas vagas atende pelo nome de Cassandra, afirmou que “Zumba” gostava de ser chamada de “Sueca: a Danada e Poderosa”, e que este teria sido o primeiro a morrer no país Tupiniquim por causa do vírus É-Boiola.
“Zumba”, a “Sueca Safada”, na verdade só queria provar pra todo mundo que para ser gay o sujeito tinha que ser muito macho. De uma coisa você podem estar certos, tem que ser muito macho pra aguentar o que esses caras aguentam.
O assunto sobre a masculinidade de “Zumba” já está causando a maior polêmica na Terra Brasilis inteira. É que o pessoal da “Consciência” ficou queimada com as insinuações sobre a “Velha Cassandra”, e estão afirmando que mesmo que tenha sido “Zumba” será sempre o “Velho Zumba”. Tem até uns que aplaudiram a nova situação do sujeito de Palmares, e como primeira medida irão assumir seus lados femininos.
Situação idêntica e também chata estão passando os nordestinos, isto porque um de seus maiores heróis, o grande Lampião – o Rei do Cangaço, também foi acusado de ser tão fresco quanto gaveta de geladeira, e que seu casamento com Maria Bonita só existiu para manter as aparências. As línguas maldosas estão até afirmando que seu verdadeiro nome seria “Lamparina, a Rainha do Cagaço”, e isto de tanto que ele se borrava pelas pernas abaixo quando via a coisa preta. Segundo outro professor, também gay e baiano (tinha que ser!), expert em assuntos nordestinos que adora uma cabeça chata, quem mandava mesmo no bando de cangaceiros era um tal de Ku-Risco, que vivia fazendo cafuné em Lamparina toda noite uma vez que Maria Bonita gostava mesmo era de uma Sargenta sergipana de nome Raimunda (Ué,! Maria Bonita sapatão?). Diz o professor que a Rainha do Cangaço só dava para Lampião uns lencinhos cor-de-rosa que foram encomendados de Campinas, transportados até o sertão por uma empresa de Pelotas, cujo caminhão de entregas era conduzido por um motorista mineiro natural de Santos Dumont e tinha por um ajudante uma certa figurinha carimbada nascida no município tricolor de Valença.
Agora mudando de assunto, quero informar que a porrada comeu solta na Câmara Municipal de “Sitiozinho” dias atrás. Além de toda baixaria que foi dita na tal reunião, teve vereador rodando a baiana, sem contar que teve até edil renunciando ao cargo que não rendia grana nenhuma a mais no gordo contracheque mensal – o de Vice-Presidente e o de Segundo-Secretário. O rolo todo aconteceu após o incidente com o Venerável Presidente Zé das Medalhas, e estão dizendo por aqui que o vereador Oblan da Rosca, doublê de economista, só não renunciou ao cargo de Primeiro Secretário porque este cargo lhe dá uma grana extra todo final de mês.
Verdade ou não, o fato é que a Câmara Municipal de “Sitiozinho” está uma verdadeira Casa da Mãe Joana.
E pra terminar, uma perguntinha afrescalhada:
Quem perseguiu quem na Câmara de “Sitiozinho”
E até a próxima rapaziada, se as “Santas” de “Sitiozinho” não me sequestrarem ou processarem…”
As crônicas de Denilson Gomes Ribeiro, o nosso sempre saudoso e inesquecível Peca ou Dutis Minelli, seguiram até meados do ano de 1997.
O corpo de Peca foi velado na Capela Mortuária de Além Paraíba, sendo sepultado no Cemitério Municipal na tarde do domingo, dia 25 de outubro.
Aos familiares de Peca, em especial seus irmãos e irmãs, seu filho Tadeu, sobrinhos, sobrinhas e demais familiares, fica aqui registrado os votos de profundo pesar da direção e colaboradores do Jornal Além Parahyba que honradamente teve, mesmo que por breve tempo, contado com sua presença…
(*) Flávio Senra é o editor e diretor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993



