sábado, maio 9, 2026
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Operação ‘Catarse’: ex-presidente da Câmara de Muriaé tem pedido de prisão preventiva decretado

Ação, realizada desde 2021, investiga uma associação criminosa suspeita de lavagem de dinheiro na região e está na 5ª fase. Carlos Delfim Soares Ribeiro segue afastado dos serviços desde o início da apuração do esquema.

Carlos Delfim, vereador de Muriaé — Foto: Reprodução/Silvan Alves

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizou na manhã de ontem, terça-feira (18), a 5ª fase da Operação “Catarse” em Muriaé, que investiga uma associação criminosa suspeita de lavagem de dinheiro na Zona da Mata.

De acordo com o MPMG, foram emitidos 18 mandados para serem cumpridos no município, sendo um de prisão preventiva, seis de busca e apreensão, cinco de indisponibilidade de bens e seis de cautela de proibição de contratação com a Administração Pública.

Segundo as investigações, o grupo é liderado pelo vereador Carlos Delfim Soares Ribeiro, que está afastado desde a 1ª fase da operação. Ele teve a prisão preventiva decretada, mas, segundo o MP, não foi localizado durante a ação realizada ontem, terça-feira (18).

Ao G1, a defesa do parlamentar disse que foi surpreendida com a notícia de mandado de prisão. Confira o posicionamento completo na íntegra mais abaixo.

Em nota, a Câmara de Muriaé esclareceu que a ação realizada esta manhã “trata-se de desdobramento da Operação Catarze, realizada em novembro de 2021, relativo a gestões anteriores do Legislativo Municipal. Ela ocorreu de forma restrita ao Setor Administrativa, onde foi recolhido um HD externo utilizado pelo MP para armazenamento dos dados que se encontravam nos computadores recolhidos em diligências anteriores”.

Também participaram da ação as polícias Militar (PM), Civil e a Promotoria do Patrimônio Público da cidade.

Operação ‘Catarse’

Operação ‘Catarse’: ex-presidente da Câmara de Muriaé é alvo da 5ª fase  — Foto: MPMG/Divulgação

A investigação aponta que o político, que já ocupou a presidência da Câmara de Muriaé, agiria no “sentido deliberado de ocultar e dissimular a propriedade de veículos, empresas, imóveis, máquinas, gados e dinheiro pertencentes a ele”.

Segundo o promotor de justiça Breno Costa da Silva Coelho, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação “Catarse” já possibilitou o cumprimento de 59 mandados de busca e apreensão, inclusive contra cinco vereadores em exercício, três ex-vereadores, seis postos de gasolina, três construtoras e 12 empresários.

Além disso, já foram bloqueados bens como um sítio, casa de luxo, mais de R$ 300 mil, carros, caminhões e outros.

Até o momento, a operação já apurou 733 crimes, sendo 24 concussões, 1 corrupção passiva, 12 lavagens de dinheiro, 695 crimes de peculato, 1 delito de associação criminosa e 21 pessoas denunciadas.

Confira o posicionamento da defesa do vereador Carlos Delfim na íntegra:

“A defesa informa que fora surpreendida com a notícia de mandado de prisão em desfavor do vereador. Na manhã de hoje, polícias civis cumpriram mandado de busca e apreensão na casa e no escritório do acusado. No entanto, somente apresentaram à defesa (que se fez presente) mandados de busca e apreensão expedidos pela juíza titular da vara criminal, para aquele endereço. Sequer apresentaram ou mesmo informaram a defesa sobre a ordem prisional. Após coletiva de imprensa do Ministério Público, tomamos conhecimento da suposta decisão de prisão provisória.

Ou seja, formalmente, sequer temos conhecimento do decreto de prisão e, de que modalidade de prisão se trata. Ao nosso entender, o investigado não se encontra tecnicamente foragido da justiça. Diante da informação, repita-se, pela imprensa, juntamos procuração nos autos, pedindo imediata habilitação no processo, que se encontra em segredo de justiça. O que ainda não nos foi concedido.

No mesmo passo, marcamos uma reunião com os representantes do Ministério Público, que ocorrerá ainda esta tarde, afim, principalmente, de tentarmos uma composição para apresentação do cliente, que, registra-se, jamais se esquivou do distrito da culpa, nem mesmo descumpriu qualquer medida cautelar determinada pela justiça, em seu desfavor”.

Fonte: G1 Zona da Mata