Alexandre de Moraes determina apreensão do passaporte de Bolsonaro
Bolsonaro entrou nos EUA com passaporte diplomático, que não exige comprovante de vacina. Ex-presidente afirmou que o tratamento recebido foi de ‘cortesia’.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a apreensão do passaporte do ex-presidente Jair Bolsonaro e demais investigados na Operação Venire da Polícia Federal (PF).
A PF investiga uma suspeita de fraude nos registros de vacinação contra a Covid-19 do ex-presidente e da filha.
De acordo com as apurações, teria sido falsamente inserida a informação de que Bolsonaro se vacinou contra a doença para ele poder entrar nos EUA.
Bolsonaro entrou nos EUA com passaporte diplomático
Fontes do governo americano relataram que o ex-presidente Bolsonaro entrou nos Estados Unidos três vezes no ano passado com um passaporte diplomático, inclusive em 30 de dezembro de 2022, penúltimo dia de seu mandato.
Nesses casos, com a posse do passaporte diplomático, não é exigido o comprovante de vacinação, mas sim outras medidas, como teste PCR. Menores de idade, como a filha do ex-presidente, Laura, também não estavam obrigados a ter o imunizante. Em 30 de janeiro, após o vencimento do visto diplomático, é que o ex-presidente deu entrada ao pedido de visto de turista.
Bolsonaro foi para os EUA em junho, setembro e dezembro do ano passado, e ficou, nessa última viagem, por quase 90 dias em Orlando.
A casa de Bolsonaro foi alvo da Polícia Federal na operação de ontem, quarta-feira (3), para investigar a atuação de uma associação criminosa que inseria dados falsos de vacinação nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde.
Investigado por falsificação do certificado de vacinação contra a Covid-19, o ex-presidente afirmou que não existe adulteração por parte dele no documento de vacinação e reafirmou não ter tomado o imunizante por “decisão pessoal”. “Fico surpreso com a busca e apreensão com esse motivo.”
Ex-presidente afirmou que o tratamento recebido foi de ‘cortesia’
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse ontem, quarta-feira (3), que não tem dúvida de que a operação da Polícia Federal (PF) da qual foi alvo tinha a intenção de esculachá-lo. O ex-chefe do Executivo ressaltou, porém, que o tratamento recebido pelos agentes foi de cortesia.
“Não há dúvida que eu chamo de operação para te esculachar. Podiam perguntar sobre vacina, cartão, eu responderia sem problema nenhum. Agora uma pressão enorme, 24 horas por dia, o dia todo, desde antes de assumir a Presidência até agora, não sei quando isso vai acabar. O que eu fico emocionado é que mexer comigo sem problema, mas, quando vai para a esposa, para filhos, aí o negócio é desumano”, afirmou.
A declaração foi dada pelo ex-presidente em entrevista a uma rádio. Mais cedo, Bolsonaro foi alvo de uma operação feita pela PF para investigar a atuação de uma associação criminosa que inseria dados falsos de vacinação nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde.
“Por volta das 6h15 da manhã, eu já estava acordado, eu acordo por volta de 4h30, no máximo 5h, e tocou a campainha. Já procurei saber o local adequado, quem estava lá fora, não ia abrir a porta da minha casa só porque tocou a campainha às 6h15 da manhã. Veio o pessoal uniformizado, daí me certifiquei de que eram policiais mesmo”, contou.
Na sequência, Bolsonaro chegou a dizer que sentiu que os policiais federais que estavam trabalhando na operação se sentiram constrangidos com a situação. “Abri a porta, convidei para entrar e fui tratado muito bem. Em nenhum momento houve exagero, voz mais alta, falta de educação, muito pelo contrário. Acredito até que eu senti constrangimento em alguns policiais federais. Foram corteses comigo.”
O ex-presidente relatou também que ligou para seu advogado e informou aos agentes que não existem senhas para entrar em seu celular, que foi apreendido pela PF. “O [celular] da Michelle [Bolsonaro] foi visto lá, tem reconhecimento facial, e deixaram com ela”, disse.
“Houve apreensão de pistola minha, mas aí eu falei para o policial que, quando eu cheguei ao Brasil, tinha dois carros blindados. O que eu apurei é que foi ordem direta do presidente Lula para tirar carro blindado de mim. Eu não posso ficar na minha casa desarmado. É um local que o condomínio não oferece a devida segurança. Então, peço a vocês uma providência, se é possível ficar com a minha pistola ou não. Vocês já sabem qual a numeração, certinho. Aproximadamente uma hora depois e deixaram a pistola em casa”, contou.
Fontes: Jornal Folha Destra e Site Contra Fatos



