segunda-feira, maio 4, 2026
DESTAQUELOCAISNOTÍCIAS

Chapa 02 vence a eleição para nova diretoria do Bloco Unidos do Cruzeiro de Angustura

Apesar de todas as artimanhas provocadas por parte de alguns membros da atual diretoria que foi derrotada, a resposta foi dada nas urnas.

Janinho Pandeló e Rodrigo Pituca, este encabeçando a chapa 01, muito antes do final do processo eleitoral firmaram um acordo de que trabalharão juntos para que os dias pela frente sejam profíquos e melhores para o Bloco Unidos do Cruzeiro. (Foto: Flávio Senra)

Não é de ontem que inúmeras situações discutidas e comentadas boca-a-boca nas ruas do distrito alemparaibano de Angustura levam a indagações sobre a forma de atuar da agora diretoria-derrotada pelas urnas do tradicional Bloco Unidos do Cruzeiro. Os comentários são inúmeros, tanto que, após um adiamento desnecessário e várias tentativas de obstruir uma chapa que se apresentou para disputar o processo eleitoral, finalmente ontem, domingo, dia 18 de junho, o processo eleitoral aconteceu e a esmagadora vitória por 187 votos a favor da Chapa 2, contra 80 da Chapa 1, apoiada pela atual diretoria, é a prova cabal de que, plagiando o escritor inglês Willian Shakespeare (abril de 1564 / 23/04/1616), “existia algo de podre no Reino da Dinamarca”.

Tal vantagem somente não foi maior, é o que se comenta pelas ruas angusturense, porque incontáveis angusturenses foram impedidos de votar por uma regra inóqua e ilegal determinada por um dos condutores do processo eleitoral, aliás membro da chapa derrotada, que impedia que não moradores, mas proprietários de imóveis na localidade, que aliás pagam impostos no município e até oferecem empregos para muitos, alguns até com domicílio eleitoral em Angustura, não puderam exercer o seu direito de escolher quem devia conduzir os destinos do Bloco Unidos do Cruzeiro. Vale ainda ressaltar, o dito executor da determinação de quem deveria votar ou não era mesário da condução do processo eleitoral mesmo sendo membro da Chapa 01 que concorria, o que é, segundo um conhecido advogado com raízes no distrito angusturense, uma irregularidade sem precedentes.

Finalizado o processo eleitoral, vários moradores saíram pelas ruas comemorando, indo em direção ao bar do Paulinho ou do Valério brindar a vitória exclamando “É CHAPA DOIS!, enquanto que cabisbaixos os derrotados enfiaram a viola no saco e desapareceram como fumaça no ar amargando uma derrota sabendo que dificilmente voltarão a participar da direção do tradicional bloco ou de qualquer outra entidade angusturense. Ressalta-se que brevemente deverá acontecer, obrigatoriamente, a eleição para a escolha de uma nova diretoria da Associação de Moradores Angustura – AMA, e que alguns membros da agora ex-diretoria do Bloco Unidos do Cruzeiro fazem parte da diretoria da entidade que representa de fato e de direito os anseios do povo angusturense.

Na manhã desta segunda-feira (19), em uma roda de conversa sobre o assunto, um grupo de moradores se mostrou disposto a apresentar uma chapa para disputar a eleição da AMA tendo por mote principal impedir que alguns dos derrotados na eleição do bloco consigam participar da escolha da diretoria da entidade que representa oficialmente o povo angusturense. O que resta agora é esperar…

A Chapa 02, vencedora do processo eleitoral realizado ontem com mais que o dobro dos votos da Chapa 01 (187 x 80), e vai liderar os novos rumos do Bloco Unidos do Cruzeiro a partir de agora tem a seguinte formação: Janinho Pandeló (Presidente), Wilson Mendes “Curió” (Vice-Presidente), Adriana Barbosa (1ª Secretária), Chiquinho da Solange (2º Secretário), Wanderlei Biné (1º Tesoureiro), Waleska (2ª Tesoureira); Conselheiros: Badico, Fernando, Guilherme Rocha, Delair, Jefferson e Waldecir Cuíca.

O Bloco Unidos do Cruzeiro

Numa demonstração de que muitas irregularidades estavam ocorrendo no processo eleitoral para a escolha de uma nova diretoria para o Bloco Unidos do Cruzeiro, João Carlos Ferreira, candidato a 1ª Tesoureiro da Chapa 01, era mesário no referido processo. (foto: Flávio Senra)

Felizmente, o que muitos angusturenses lamentam, ao que parece terminou o pesadelo vivenciado de certo tempo para cá pelo Bloco Unidos do Cruzeiro, de Angustura, e novos dias começam a surgir no horizonte para quem viveu nos últimos anos o pior momento de sua história.

O Bloco Unidos do Cruzeiro tem uma belíssima história repleta de sucessos e alegrias iniciadas no princípio dos anos da década de 1950, portanto cerca de 70 nos atrás. Naquela ocasião, um certo Jacy Mendes, conhecido como “Curió”, oriundo das terras existentes entre os municípios fluminenses de Itaperuna e Santo Antônio de Pádua, aportou no distrito alemparaibano de Angustura, onde conheceu e desposou Djanira, com quem teve sete filhos: Wilson, Wanderlei, Lúcio, Everaldo, Esmealda, Wanderléia e Luci Helena.

Conhecedor profundo dos folguedos carnavalescos da região de onde veio, que tinha como personagens principais o Boi e a Mulinha, “Curió” juntou alguns amigos e fundou o Bloco Carnavalesco Unidos do Cruzeiro agregando a tradição desses dois personagens, o que até os dias de hoje é lembrado por todos os angusturenses mesmo que sua maioria sequer sabendo o motivo dos Festejos de Momo envolvendo esses personagens. Mas isso é outra história…

Os anos foram passando e o bloco criado por “Curió” ganhando mais seguidores, a maioria formada por moradores do Morro do Cruzeiro que conquistavam cada vez mais a simpatia e admiração do povo angusturense e visitantes que buscavam Angustura para brincar a folia do carnaval. Alguns anos atrás, numa demonstração de que o Bloco Unidos do Cruzeiro já era conhecido e admirado além fronteiras angusturenses, uma das mais tradicionais escolas de samba de Além Paraíba, a União da Colina, chegou até mesmo a dedicar um enredo ressaltando não só o carnaval de Angustura, mas, principalmente, a tradição e a história do Bloco Unidos do Cruzeiro e de seus dois personanges – o Boi e a Mulinha.

Infelizmente, de certo tempo para os dias atuais, a politicagem acabou tomando conta da destinação a que, acredita-se, “Curió” criou o Unidos do Cruzeiro, o que veio trazer não somente desconforto e o afastamento de muitos angusturenses, mas também a insatisfação pelos rumos que então foram tomados.

Tal situação, lamentavelmente, fruto de uma “meia-dúzia” que somente olha para o próprio umbigo, tomou uma proporção mais que nefasta já que trouxe intrigas entre familiares e amigos, sem contar que, se desconhece, em momento algum houve uma prestação de contas real junto à comunidade dos gastos com o dinheiro público e de particulares recebidos para a organização dos desfiles do Bloco nas ruas angusturenses. Ressalta-se, a não prestação de contas, é o que tudo indica, era feita somente ao Poder Público, no caso a prefeitura, disponibiliza de recursos para o bloco e assim exige para que no ano seguinte possa alocar novos recursos. Com relação a outros valores que possam ter por origem de doações de particulares, eventos realizados, rifas, etc., estes nunca se ouviu falar que a agora derrotada diretoria tenha feito à comunidade, como era feito anteriormente por outras diretorias.

Mas como tudo passa e deve ser tratado como se o ocorrido não passou de um mero pesadelo, o que deve ser salientado é que a partir de agora novos dias estão pela frente, e quesob a batuta de Janinho e demais membros de sua equipe, o nome do Bloco Unidos do Cruzeiro seja alçado onde o saudoso “Curió” sempre quis que ele ficasse, ou seja, num patamar mais alto que toda e qualquer vaidade pessoal ou política.