sábado, abril 18, 2026
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Se não se cuidar “pode acabar se atolando no brejo que a anterior acabou se afogando”

EDITORIAL

Por Flávio Senra (*)

Agora oferecendo até cafezinho – é muita cara de pau! (Imagem: Rede Social – reprodução)

Estupefato tenho visto uma série de situações, bem como a repulsa de grande parcela do povo alemparaibano a respeito da votação na Casa do Povo que aprovou a não existência da livre concorrência dos serviços funerários em Além Paraíba.

Inicialmente, o meu espanto vem do fato de que a empresa Plan Minas passou a assediar seus clientes com serviços nunca oferecidos, bem como está ofertando redução nos valores que ora cobra dos mesmos. Por que não fez isso antes? Por que somente agora, quando surge outra empresa do seu ramo, passa a oferecer algumas vantagens? Agora, até cafezinho passou a oferecer pelas ruas, tendo por acompanhamento medição de pressão arterial e de glicemia. É muita cara de pau, digna de um verniz de altíssima qualidade para brilhar com bastante intensidade a face de qualquer papa-defuntos.

E sobre a reação, somos obrigados a fazer um relato sobre o que passou a pensar grande parcela da população alemparaibana sobre a atuação de sete dos treze membros da edilidade alemparaibana. É algo que nunca vi nesses meus mais de trinta anos à frente do Jornal Além Parahyba, o que me leva a afirmar, sem rodeios, que eles deram um tremendo tiro no pé.

Na terça-feira, dia 1º, nos bairros de Porto Novo, São José e Vila Laroca, num tour para pagar algumas contas, encontrar com um membro da edilidade para tratar de um assunto que não remete à votação (ele votou a favor da livre concorrência), comprar algumas frutas, etc., este que vos fala, como relatei no início desse bate-papo, ficou estupefato, ou seja: pasmo, assombrado, admirado, perplexo. Posso afirmar, sem rodeios, que por diversas vezes fui abordado por alemparaibanos, por sinal muitos, protestando e tecendo comentários de grande repulsa aos sete parlamentares que foram contra a livre concorrência, isso sem contar que a maior parte afirmou que “debaixo desse angu tem uma lasca gigantesca de picanha”. Ou seja, para quem sabe ler, alguma coisa pode ter beneficiado parte da edilidade alemparaibana, em especial aqueles que sempre apregoaram quando em campanha na busca de votos apoiar sempre a vontade do povo, um deles que nas redes sociais, dias antes, apregoou em alto e bom som que iria votar contra o monopólio.

Lembrando, os vereadores de votaram a favor do monopólio foram Fábio Filgueiras Neto (PP),       Fernando Montes Ferreira da Cruz (UNIÃO), Wesley Dias de Oliveira, o “Pindura” (PL), Paulo Henrique da Silva Oliveira, o “Pastor Paulinho” (PSD), Lerison Lameira Ribeiro, o “Lerinho” (PP), Mônica Silva Fernandes, a “Monica da Motinha” (PRD) e Davi da Paz Silveira Teixeira (PP).

Votaram favoráveis à livre concorrência e à instalação de mais uma empresa funerária no município, contrários ao monopólio existente, os vereadores Gilson Ricardo Costa Ribeiro, o “Gilsinho da Novidade” (PRD), Sergio Roberto Paulino de Jesus, o “Crioulo” (PSD), Reginaldo Câmara Estevanim, o “Regisom” (PL), Mateus Felipe Lopes da Cruz (MOBILIZA), Oberdan Moreira Rocha (PT) e Débora Christina Machado Silva, a “Débora da Madalena” (PMN).

Mas as críticas não foram direcionadas apenas aos vereadores. Também o prefeito Paulo Henrique Marinho Goldstein as recebeu, valendo ressaltar que grande parte dos críticos partiu de eleitores que depositaram o seu nome nas urnas – 51,4% dos votos divididos entre cinco candidatos, que se mostraram insatisfeitos com o seu posicionamento em não vetar a matéria aprovada que certamente poderá ser referendada pelo Legislativo Municipal – https://www.jornalalemparahyba.com.br/2025/06/prefeito-afirma-que-nao-vetara-decisao-da-camara-municipal-que-aprovou-emenda-contra-mais-uma-funeraria-atuando-no-municipio/“Essa omissão, infelizmente esse é o termo que utilizo, reflete que o prefeito está de acordo com a não concorrência livre de mercado”, afirmou uma dona de casa que afirmou ter votado no prefeito alemparaibano e pede a não revelação de seu nome enfatizando que possui familiares trabalhando na prefeitura como contratados e que estes poderiam ser perseguidos.

Que nos desculpe o nosso prefeito, nosso porque apesar de não ter-lhe dado o voto você foi eleito para ser o gestor municipal de todos e não apenas de seus eleitores, mas, como dito em nossa conversa no dia 24 de junho, a população, em sua maioria, “gostaria de ver em Além Paraíba mais uma empresa funerária atuando no município”. Sua afirmativa de que decisão não seria sua, mas da maioria dos vereadores, é uma verdadeira faca de dois gumes já que tens o direito e o poder de vetar a matéria em questão, podendo até perdê-la na votação de seu veto. Mas aí já é outra conversa…

E é aí que entra outra situação que nos leva a pensar que, apesar de alguns acertos, o seu governo vem cometendo alguns erros cruciais. Para que uma assessoria de marketing se esta, que deveria estar se preocupando não somente enaltecendo a sua imagem e de sua governança, mas também a protegendo, orientando-o sobre situações como esta envolvendo a vontade do povo em geral?

Devo lembrar, apesar de nossa formação ser ligada diretamente ao jornalismo, à imprensa como num todo, em momento algum nos passa pela cabeça de que estaríamos colocando o nosso nome para ocupar um cargo ligado à assessoria de imprensa do atual governo municipal, e isto já foi dito tête-à-tête com o prefeito, isto porque não temos tempo suficiente para ocupar tal função e, mesmo que tivéssemos, nosso papel como representante de um veículo de comunicação – Jornal Além Parahyba, consideramos ser mais importante do que ser apenas mais um.

Finalizando esse bate-papo, deixamos aqui registrado que pelo andar da carruagem a nova gestão municipal de Além Paraíba, caso não tome algumas atitudes até então não tomadas, pode acabar se atolando no brejo que a anterior acabou se afogando.

Um bom resto de semana para todos…

(*) Flávio Senra é o editor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993