terça-feira, junho 23, 2026
BRASIL E MUNDODESTAQUENOTÍCIAS

Morreu o jornalista José Roberto Guzzo

Profissional era colunista da Gazeta do Povo e um dos fundadores da revista Oeste.

Jose Roberto Guzzo morreu aos 82 anos em São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)

Morreu na madrugada de sábado, 2, o jornalista José Roberto Dias Guzzo, aos 82 anos, em São Paulo. O profissional era colunista da Gazeta do Povo e faleceu em decorrência de um infarto, segundo informação divulgada pela revista Oeste, da qual ele era fundador e atuava como colunista e comentarista.

“Guzzo foi um dos jornalistas mais influentes da imprensa brasileira. Ao longo de sua carreira, participou de momentos decisivos da história mundial e liderou coberturas jornalísticas de grande relevância. Nos últimos anos, suas colunas de opinião desempenharam um papel fundamental ao lançar luz sobre a degradação das instituições nacionais e a corrosão da cultura democrática. Mais do que talento para a escrita e faro apurado para pautas, Guzzo demonstrou uma visão de mundo e uma capacidade de análise que não encontram paralelo no jornalismo contemporâneo. Fará muita falta”, afirmou Ewandro Schenkel, diretor de redação da Gazeta do Povo.

J.R Guzzo, como assinava seus textos, começou a carreira no jornalismo em 1961. Entrou para a revista Veja em 1968 e foi diretor de redação da publicação entre 1976 e 1991 — em 2008, voltou como colunista.

Ao longo de sua trajetória, J.R Guzzo consolidou a imagem de um jornalista com forte posicionamento editorial e grande influência no debate público brasileiro. Em outubro de 2019, sua saída da Veja gerou repercussão, após a revista decidir não publicar uma de suas colunas que criticava o Supremo Tribunal Federal (STF). Após a saída dele da revista, a Gazeta do Povo foi a primeira casa a recebê-lo, tornando-se nosso colunista desde então.

O artigo censurado, intitulado “A Fila Anda”, apresentava uma crítica feroz aos ministros da Corte, comparando-os a uma “calamidade pública” e argumentando que somente o calendário, através da aposentadoria compulsória aos 75 anos, poderia resolver o problema. Além da sua demissão, a publicação excluiu de seu site a página “Fatos”, que reunia todos os artigos do jornalista.

“A liberdade de imprensa tem duas mãos. Em uma delas, qualquer cidadão é livre para escrever o que quiser. Na outra, nenhum veículo tem a obrigação de publicar o que não quer. Ao recusar a publicação da coluna mencionada acima, “Veja” exerceu o seu direito de não levar a público algo que não quer ver impresso em suas páginas. A partir daí, em todo caso, o prosseguimento da colaboração ficou inviável“, disse Guzzo em sua carta de demissão.

O jornalista também dirigiu a revista Exame, integrou o conselho editorial da Abril e foi colunista do jornal mineiro O Tempo, do portal Metrópoles e do jornal O Estado de S. Paulo.

Na sua coluna mais recente, publicada na Gazeta do Povo neste sábado e enviada antes de seu falecimento, Guzzo afirmou que a “sova dos EUA foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para Lula na sua Terra do Nunca”.

O corpo do jornalista foi velado no sábado (2), no cemitério Congonhas, em São Paulo. O sepultamento foi realizado no domingo (3), às 10h30, no mesmo local.

Tarcísio e outros políticos lamentam a perda de Guzzo

Pela redes sociais, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lamentou a morte do jornalista. Para o chefe do Executivo estadual, Guzzo marcou época por sua coragem, lucidez e compromisso inegociável com a liberdade de expressão.

“O país perde um referência intelectual que nunca se calou diante do poder. Que Deus conforte seus familiares e amigos neste triste momento”, disse.

Já o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) disse que o Brasil perdeu um de seus maiores articulistas a favor da democracia e liberdades individuais. “Perdemos os artigos mais bem fundamentados e corajosos contra o desgoverno Lula e um STF politizado, com a morte de Roberto Guzzo. Eu lia todos os seus artigos e saia impulsionado a lutar contra a distopia reinante no Brasil, mas que acabará em breve”, disse.

O também deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) afirmou que “Guzzo era daqueles jornalistas verdadeiramente compromissados com a ética e a honestidade, exemplo de coragem que vai fazer muita falta”. Já o deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF) afirmou que o jornalista foi “um homem corajoso, que, com sua percepção aguçada dos fatos e sua bela forma de escrever, não temeu se expor nos momentos mais escuros da nossa história recente”.

‘O jornalista era sempre o mocinho do filme; nunca pensei em fazer outra coisa’

José Roberto Dias Guzzo tinha orgulho da profissão. Em vídeo publicado em novembro de 2021 pela revista Oeste, contou que desde a adolescência já sabia que gostaria de ser jornalista.

“Naquela ocasião, com 13, 14, 15 anos de idade, eu tinha uma visão encantadora do jornalismo. Achava uma profissão linda, maravilhosa. O jornalista era sempre o mocinho do filme, enfim, eu tinha uma imagem muito bacana do jornalismo”, disse.

Segundo ele, nem mesmo a realidade da profissão ao longos dos anos foi capaz de acabar com o seu encanto pelo jornalismo. “Eu nunca pensei em fazer outra coisa, porque achava aquilo o máximo. Não achava que ninguém podia fazer nada tão bom quanto ser jornalista. Naturalmente, depois que você começa, vai adquirindo experiência, e a realidade vai se impondo. Mas ela não foi o suficiente para eu desgostar do que eu fiz”, completou.

Leia a última coluna escrita pelo jornalista J.R. Guzzo

O último artigo do jornalista José Roberto Dias Guzzo foi publicado, coincidentemente. no mesmo dia de sua morte, 02 de agosto, tendo por título “Sova dos EUA foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para Lula na sua Terra do Nunca”. Diz o artigo:

IMAGEM 02

(Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

Se a decisão fosse disponível neste momento para ele, Lula estaria vivendo com toda certeza na Terra do Nunca que a mídia brasileira criou. Nada do que acontece ali, ou muito pouco, tem alguma coisa a ver com a vida como ela é na realidade dos fatos. Em compensação, o presidente teria um mundo ideal por lá. Tudo o que ele faz dá certo. Nas matérias do tipo “quem ganhou e quem perdeu”, está sempre nos “quem ganhou”. Só tem vitórias. Nunca perde nada: eleição municipal, pesquisa de opinião, arcabouço fiscal. Não é o chefe de um governo senil, desmoralizado e corrupto, com zero de resultados em dois anos e meio. É Peter Pan.

A miragem do momento é o que os comunicadores descrevem como a sua vitória no contencioso contra os Estados Unidos e Donald Trump. Levou 50% de imposto nas exportações do Brasil para lá, e não conseguiu punir os americanos em nada – mesmo porque não tem a menor condição para fazer isso. Não conseguiu dar sequer um telefonema para Trump. A ficção de que Lula é um grande “negociador”, criada por ele próprio e aceita como verdade científica pela imprensa, não rendeu dois minutos de conversa com ninguém. Comprou uma briga com a maior potência do planeta sem ganhar nada em troca; não tinha, aliás, nada a propor.

Lula, dizem em peso os analistas, tornou-se o grande favorito nas eleições do ano que vem – que estavam indo para o saco. Enfim, a sova que o Brasil acaba de levar foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para Lula na sua Terra do Nunca

Seu único contato no exterior foi com Colômbia, Chile e outros anões que lhe deram apoio verbal, desejaram boa sorte e foram cuidar da vida. Seus imensos aliados no Brics, a China e a Rússia, continuaram imaginários; não lhes passou pela cabeça criar nenhum problema novo com os americanos para ajudar o Brasil na briga. Muito pelo contrário: a China, mais uma vez sem dar vantagem alguma ao Brasil, está desfrutando de uma inédita licença para entupir o mercado brasileiro com a importação de carros elétricos, que a propaganda lulista apresenta como fabricados “em Camaçari”. Festejaram a vitória da “soberania”, da “honra” e da “firmeza” do Brasil, mas ganhar alguma coisa de útil que é bom, nada.

Na mídia, porém, esse balanço miserável foi transformado num êxito histórico para Lula. Trump, por essa visão, deu “um tiro no pé”; não se explica o que ele perdeu, mas e daí? A popularidade de Lula, que vinha derretendo nas pesquisas, ressuscitou de um dia para outro. A “população”, supostamente indignada com os Estados Unidos, se juntou em apoio decidido ao presidente. O fracasso do seu governo se desfez sem que ele tenha tido de entregar um único mata-burro a ninguém. As sanções não terão efeito na economia; algum probleminha aqui ou ali, mas nada de sério. Lula, dizem em peso os analistas, tornou-se o grande favorito nas eleições do ano que vem – que estavam indo para o saco. Enfim, a sova que o Brasil acaba de levar foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para Lula na sua Terra do Nunca.

Como em jogo de futebol ruim, comemora-se até lateral. O ministro Alexandre de Moraes, com quem o governo Lula mantém um pacto de morte, foi acusado pelos Estados Unidos de violar a Lei Magnitsky, que até outro dia ninguém sabia o que é, mas hoje é mais conhecida que a Lei do Inquilinato. É uma humilhação mundial inédita e arrasadora, que coloca um ministro do órgão máximo da Justiça brasileira na companhia de assassinos em massa, torturadores, terroristas, genocidas e outros criminosos hediondos. É o Brasil que se vê lançado ao rol das nações- bandidas, como violador dos direitos humanos. É o “Processo do Golpe” exposto ao mundo como a farsa que sempre foi.

Mas para a mídia a conclusão é que Moraes foi o grande ganhador dessa história. Saiu barato, dizem ali. Ele não tem conta em banco americano, e nem queria mesmo ir mais para os Estados Unidos; é como se fosse proibido de viajar para a Bolívia, ou tivesse congelados os bens que tem em Marte. Recebeu o apoio dos colegas do Supremo. Lula continua fechado com ele. Está mais forte do que estava. Em suma: nada como ser exposto perante o mundo como um criminoso de país subdesenvolvido. É nisso que estão querendo que você acredite. 

Fonte: Gazeta do Povo