sexta-feira, janeiro 16, 2026
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Seis presídios de Minas Gerais serão exclusivos para presos do PCC, CV e TCP

Estratégia busca isolar faccionados de outros detentos e evitar o “batismo” de novos integrantes.

O anúncio foi dado em entrevista coletiva. (Foto: Isabela Abalen – O Tempo)

O governo de Minas Gerais anunciou na semana passada, terça-feira (16), que tornará seis unidades prisionais exclusivas para presos integrantes de facções criminosas, sobretudo as maiores de atuação nacional, como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Terceiro Comando Puro (TCP). O objetivo é isolar os membros dessas organizações, que contarão com reforço de segurança, incluindo maior efetivo de agentes e recursos tecnológicos, como bloqueadores de celulares.

A expectativa do governo é que, nos primeiros meses de 2026, cerca de 3 mil presos faccionados do estado já estejam nas unidades específicas, cujas localizações não foram divulgadas. Como esses estabelecimentos já integram o sistema prisional estadual, será necessário apenas o remanejamento dos detentos e a adequação à segurança máxima. Os bloqueadores de celulares devem ser entregues até fevereiro. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa.

De acordo com o vice-governador Mateus Simões (PSD), as principais facções com ramificações no estado são o PCC, o CV e o TCP. Além dos cerca de 3 mil detentos, outros 6 mil faccionados são monitorados pela segurança pública por já terem passado pelo sistema penitenciário. No plano das unidades exclusivas, presos de facções diferentes não serão misturados.

“Poderíamos pensar que três unidades resolveriam, porque são três grandes facções de maior atuação. Mas o número de faccionados supera a capacidade dos nossos presídios, por isso serão seis. Temos cerca de 3 mil faccionados presos e outros 6 mil que passaram pelo sistema. Isso significa que entraram e saíram porque a Justiça determinou a soltura”, explicou Simões. Nesses casos, no entanto, o Judiciário voltou a determinar a detenção dos suspeitos. Em 2025, 659 foragidos ligados a organizações criminosas foram presos em Minas.

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, detalhou que a iniciativa será pioneira no país e tem como objetivo criar presídios com nível de segurança semelhante ao das unidades federais. “Minas escolheu essa alternativa porque, ao juntarmos os ‘parceiros’ de facção em uma mesma unidade, evitamos o ‘batismo’ de novos integrantes e o crescimento das organizações criminosas”, afirmou.

Segundo ele, esses presídios contarão com bloqueadores de celulares, equipamentos de última geração e reforço no efetivo de agentes: “Ou seja, serão unidades que garantirão ao Estado, de forma simétrica, aquilo que já ocorre no sistema penitenciário federal”, continuou.

Na mesma data do anúncio, as forças de segurança do estado concluíram a transferência de Marcelo Bozó, apontado como um dos integrantes da “cúpula” do Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país, para uma unidade prisional no estado. Considerado de alta periculosidade, o mineiro foi trazido de um presídio em Bangu, no Rio de Janeiro, de onde, segundo apurado com fontes ligadas à investigação, ainda conseguia gerir atividades da facção.

Bozó é apontado como integrante do Conselho Permanente do CV e será transferido para um presídio federal. A proposta, no entanto, é que, no futuro, esse tipo de encaminhamento deixe de ser necessário, com os faccionados permanecendo sob custódia do estado, em unidades prisionais exclusivas.

“Vamos isolá-los ao máximo nas unidades prisionais exclusivas, inclusive com bloqueadores de última geração, para que quem vá para lá tenha apenas tempo de reflexão, sem a oportunidade de continuar comandando o crime de dentro do sistema prisional”, cravou o vice-governador Mateus Simões.

No estado, houve um avanço recente de facções nacionais e internacionais. Para se ter ideia, entre 2019 e 2024, o número de integrantes do PCC e do CV nos presídios mineiros cresceu 55,2% — de 1.900 para 2.950, segundo levantamento da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Balanço

O governo de Minas anunciou também o balanço das ações de segurança pública em 2025. Os dados da secretaria de Justiça e Segurança Pública comparam o período de janeiro a outubro de cada ano. Confira abaixo os destaques dos dados apresentados:

·         Crimes violentos: entre 2024 e 2025, os crimes violentos recuaram 21,2%, com redução dos homicídios consumados (-11,6%) e tentados (-23,3%), dos roubos consumados (-27,9%) e tentados (-20,2%).

·         Violência contra a mulher: somados, os feminicídios e tentativas de feminicídio tiveram queda de 14,9%. Também caíram os estupros consumados (-8,4)  e tentados (-13%). A PCMG formalizou mais de 60 mil pedidos de medidas protetivas e 17.945 agressores tiveram a prisão ratificada, contra 14.621 prisões ratificadas no mesmo período do ano anterior, aumento de 18,52%.

·         Polícia Militar: foram realizadas cerca de 1,65 milhão de operações, com aproximadamente 223 mil prisões, retirada de mais de 12 mil armas de circulação e apreensão de grandes volumes de drogas. Ainda, cerca de 3,8 mil novos policiais entraram em atuação em 2025.

·         Crime organizado: 659 foragidos ligados a organizações criminosas foram presos e cerca de 2,2 mil operações de inteligência foram realizadas com esse foco.

·         Tráfico de drogas: 23,4 mil inquéritos do tipo foram concluídos entre janeiro e novembro de 2025, crescimento de 26,8% em relação a 2024. No mesmo período, foram realizadas 3.872 operações e incineradas mais de 11,9 toneladas de entorpecentes.

·         Corpo de Bombeiros: redução de quase 38% da área queimada nas Unidades de Conservação em relação à média histórica, com cerca de 70% dos incêndios controlados em até 24 horas.

·         Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec): consolidou o maior investimento da história em prevenção, com mais de R$ 94 milhões destinados ao fortalecimento das estruturas municipais, e outros R$ 600 milhões no Encontro das Águas, a maior iniciativa já realizada no estado para o enfrentamento à seca e estiagem.

Fonte: Jornal O Tempo