Icônica escultura de José Heitor, “Carijó” vai integrar o acervo da municipalidade de Além Paraíba
Obra está sendo adquirida e, segundo o prefeito Dr. Paulo Henrique, “será uma forma de prestar uma grande e justa homenagem a um homem que é merecedor de todo o carinho e respeito de toda comunidade alemparaibana”.

Recentemente, mais precisamente em setembro do ano passado, em conversa informal com o prefeito de Além Paraíba, Dr. Paulo Henrique Marinho Goldstein, este informou que estava prestes a adquirir a “Carijó”, escultura do importante escultor alemparaibano José Heitor, integrando assim a belíssima obra ao acervo da municipalidade.
“A obra ficará em exposição permanente na sede do Poder Executivo Municipal”, afirmou o prefeito à ocasião, valendo ressaltar que a sede em questão é o centenário Paço Municipal, localizado na Praça Coronel Breves, em São José, que está recebendo obras de sua restauração.
Segundo o prefeito à ocasião, a obra, que documenta parte da história cultural de Além Paraíba, não pertence apenas ao seu criador, mas também a todo povo alemparaibano, daí ter determinado à sua assessoria jurídica a formalizar todos os procedimentos jurídicos para comprá-la, e que, quando as obras no antigo Paço Municipal estiverem concluídas, o que deve acontecer ainda neste ano de 2026, a famosa obra de José Heitor será instalada em local de destaque dentro das dependências do centenário e histórico prédio público, mantendo-a em exposição permanente naquele local.
Dr. Paulo ainda revelou à ocasião que, além da escultura do grande escultor ser de grande importância para o município, “será uma forma de prestar uma grande e justa homenagem a um homem que é merecedor de todo o carinho e respeito de toda comunidade alemparaibana, o nosso estimado José Heitor”.
Os valores que serão pagos pela municipalidade ao escultor alemparaibano não foram revelados, mas certamente serão tornados público tão logo seja acertada a transação.
A escultura “Carijó”

Considerada como uma das mais importantes obras do escultor alemparaibano José Heitor da Silva, apelidado carinhosamente pelo editor do Jornal Além Parahyba, Flávio Senra, como “O Poeta da Madeira”, a escultura em madeira denominada “Carijó”, com cerca de 1,30 metro de altura, representa uma das mais icônicas personagens que circulou pelas ruas alemparaibanas pelos idos dos anos das décadas de 1940/1960.
Utilizando uma peça inteiriça de vinhático, madeira que apresenta um prático torneamento e um bom acabamento, sendo muito utilizada em embarcações, na construção civil, no setor mobiliário e em molduras decorativas, “Carijó” foi esculpida em cerca de seis meses durante o ano de 1983. Concluída, José Heitor expôs sua obra no dia 28 de setembro, na Ilha do Lazareto, local onde milhares de alemparaibanos e visitantes se faziam presentes para comemorar os 100 anos de emancipação político-administrativa de Além Paraíba.
Tratando-a como a “Dama do Centenário”, aquele, que para muitos é o mais importante nome do cenário artístico alemparaibano, não apenas prestava uma homenagem a uma mulher humilde, mas também para uma sobrevivente como tantas outras que até os dias de hoje podem ser encontradas no nosso dia-a-dia, vagando sem destino sem encontrar um ombro amigo que lhes dê o apoio que tanto necessitam.
Inúmeras são as obras de José Heitor espalhadas mundo afora, até mesmo nos Estados Unidos da América e na Europa, todas de grande valor artístico-cultural que mostra a capacidade e a técnica somente encontrada em grandes mestres. Mas “Carijó”, antes de tudo representa parte da história do município, tanto que o atual Chefe do Poder Executivo Municipal da boa terra banhada pelo Rio Paraíba do Sul, prefeito Dr. Paulo Henrique Marinho Goldstein, num lampejo que tantos outros prefeitos tiveram a oportunidade de fazer e nada fizeram, decidiu adquirir, com recursos dos cofres públicos, a obra para mantê-la para sempre junto do povo alemparaibano antes que, plagiando a frase dita por D. João VI a seu filho Pedro ao voltar para Portugal, “algum aventureiro lance mão” e a leve para longe.
Quem foi Adelaide “Carijó”

Segundo o historiador alemparaibano Mauro Luiz Senra Fernandes, publicado no Informativo “Nos Tempos de Dantes”, em 24 de abril de 2007, Adelaide nasceu pelos idos do início do século XX, na Fazenda da Serra Bonita. Pela sua aparência, demonstrava ser descendente dos Puris, um povo indígena nômade que habitou o sudeste do Brasil, especialmente o Vale do Paraíba, que foi disperso pela colonização a partir do século XVIII e desapareceu de nossa região no período de nosso povoamento.
Ela seria a segunda esposa do lavrador Sebastião Maria que faleceu acidentalmente ao cair de uma mangueira, em uma chácara que existia pelos arredores do Bairro da Saúde.
Segundo o historiador, não existem informações precisas de quando ela passou a circular pelas ruas de Além Paraíba em busca de esmolas ou de um prato de comida. Vale ressaltar, ainda foca Mauro Senra, sua miséria era acrescentada pela falta de respeito à sua história, pois comumente era abordada por garotos, até mesmo adultos, com insultos, deboches e apelidos, como o sonoro “Sacode Carijó!”, “matou o marido derrubando ele da mangueira”. Como resposta, ela bradava um grande praguejar repleto de sofrimento.
Adelaide teve alguns filhos, entre eles Adão e José, que durante certo tempo de suas infâncias a acompanhavam pelas ruas da cidade. Mais tarde, eles teriam sido enviados para alguma instituição de crianças abandonadas.
Adelaide acabou ficando só, resistindo aos insultos proferidos em suas caminhadas pela cidade, até ser internada no Asilo Ana Carneiro, na Vila Caxias, onde viveu seus últimos dias de vida.
Leia também:



