Giovanni Incerti (João Incerti)


Filho de Giuseppe Incerti e Giuseppa Malavazzi Incerti, Giovanni Incerti nasceu na cidade italiana de Reggio Emília, no dia 16 de junho de 1887.
Ainda muito jovem, com apenas 18 anos de idade, mais precisamente em 02 de novembro de 1905, Giovanni veio para o Brasil, indo trabalhar na marinha brasileira, na Ilha de Viana, em Niterói, como reparador de caldeiras de navios. No Brasil passou a se chamar João Incerti, uma tradução equivocada que lhe foi imposta quando chegou ao país.
Tempos depois, já dominando um pouco o idioma português, o jovem italiano foi trabalhar na ferrovia, na região do Alto da Serra de Petrópolis, de onde foi transferido para Além Paraíba para assumir o cargo de Inspetor “R” da Estrada de Ferro Leopoldina, isto em 17 de fevereiro de 1915.
A inteligência e a dedicação ao trabalho fizeram com que Giovanni fosse promovido a Inspetor Especial de Caldeiras, o que fez com que ele viajasse por quase toda a extensão de linhas da EFL, inclusive dando assistência técnica às usinas de açúcar da cidade fluminense de Campos dos Goytacases.



Em Além Paraíba conheceu Genoveva Garbois Roldeman, nascida em Mar de Espanha em 26 de maio de 1900, filha de Vitório Roldeman e Stela Josephina Garbois Roldeman, com quem se casou no dia 08 de maio de 1919. Da união nasceram os filhos: Hermínia Rosa, Elvira, Geraldina Ida, José, Ulisses, Nelson Leonardo, Guisephina Stela, Ernani e Clésia Nazir.
Giovanni, ou João como era conhecido, dominava profundamente o desenho mecânico e a matemática, e além do italiano falava com fluência o português, o alemão e o inglês. De hábitos simples, sincero e comunicativo, nas horas de folga gostava muito de ler, desde o gibi até o clássico, e tocava magistralmente o clarinete. O seu dom pela música foi repassado a alguns dos filhos, como Nelson (clarinete e saxofone), Hermínia (violino) e Elvira (Bandolim).


Um outro hábito de “Vovô João”, como era tratado carinhosamente pelos netos, era o de aproveitar ao máximo o enorme terreno que circundava sua residência plantando hortaliças, legumes, milho, feijão e mandioca, o que em muito auxiliava na alimentação da numerosa família.
Tinha grande amor pela ferrovia, o que contagiou todos os filhos homens que se tornaram ferroviários, sendo que Ulisses chegou ser uma das grandes lideranças do sindicalismo ferroviário brasileiro, tendo sido duramente perseguido após o golpe militar de 1964.


Jamais aceitou se naturalizar brasileiro, pois dizia que nasceu italiano e iria morrer como tal, embora tivesse sido muito bem acolhido no país e tivesse vivido a maior parte de sua vida aqui, constituindo numerosa família que, assim como os inúmeros amigos que conquistou, o amavam muito e têm nele, ainda nos dias de hoje, um exemplo de dignidade, respeito e sabedoria.
Faleceu com 78 anos de idade, no dia 16 de março de 1966, sendo enterrado no Cemitério Municipal de Além Paraíba. Sua esposa faleceu em 14 de março de 1984.
Texto de Flávio Senra e Marcela Incerti. / Publicado na edição 369 do Jornal Além Parahyba / 29/03/2006



