domingo, março 8, 2026
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PL vê Zema como decisivo e quer governador como vice de Flávio Bolsonaro

A possibilidade de estar em uma posição secundária no pleito já foi descartada por Zema nos últimos dias, o que não garante o fim das conversas.

Zema tem rechaçado qualquer hipótese de abrir mão da candidatura ao Planalto. Porém… (Foto: Gil Leonardi)

Enquanto Romeu Zema (Novo) garante não arredar pé da candidatura à Presidência da República em outubro, o Partido Liberal (PL) deverá fazer investidas sobre o governador. O objetivo é levá-lo ao posto de vice na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida ao Palácio do Planalto.

A possibilidade de estar em uma posição secundária no pleito já foi descartada por Zema nos últimos dias em entrevistas e também em conversas com aliados. No entanto, o PL seguirá buscando ter o governador de Minas no palanque. A ideia da legenda é ter uma candidatura unificada da direita para endurecer a disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) que buscará a reeleição e um quarto mandato.

O presidente do PL em Minas Gerais, deputado federal Domingos Sávio, reforçou a importância do governador para o pleito, já que Zema é, atualmente, um dos principais expoentes da política em Minas Gerais – maior colégio eleitoral do Brasil e crucial na definição de todos os presidentes desde a redemocratização.

“Nós do PL e o próprio (Jair) Bolsonaro sempre deixamos claro nosso respeito e consideração com o governador Zema. Mas o nosso candidato a presidente é Flávio Bolsonaro . O governador Zema, embora tenha se lançado como pré-candidato, ele próprio disse que aguardaria as pesquisas e hoje as pesquisas mostram que Flávio Bolsonaro já está empatado e tem condições de vencer Lula. Portanto o apoio de Zema será muito importante e poderá decidir a eleição a favor do Brasil”, disse Sávio.

O posicionamento segue o que foi defendido pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Netto. Em entrevista ao jornal O Globo, ele comentou sobre o interesse no governador mineiro. “Zema seria um ótimo vice. O ideal é estarmos todos juntos no primeiro turno para vencermos as eleições. Vamos conversar com todos os partidos. Temos de trabalhar. O Flávio ainda vai ter muito trabalho”, destacou ao periódico carioca.

A defesa de Valdemar tem adesão de outros figurões da política, como o senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Articulações em Minas

Eventuais investidas do PL sobre Romeu Zema podem se dar em meio a um cenário de indefinições sobre os rumos do partido nas eleições de outubro no território mineiro. Conforme mostrou O TEMPO, a lealdade do vice e candidato a sucessor de Zema, Mateus Simões (PSD), ao governador pode melar a aliança que vinha sendo costurada entre PL e PSD. O que dificultaria a união, que chegou a ser costurada com forte atuação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), é justamente a candidatura de Flávio Bolsonaro e a necessidade de um palanque do PL ao senador carioca em Minas.

Simões quer ser o nome apoiado pelo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado, mas o PL exige que a chapa apoie a nível nacional a candidatura de Flávio Bolsonaro em detrimento de Zema e do candidato próprio que o PSD planeja lançar. Os pessedistas acertaram a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, nesta semana. Assim, o partido comandado por Kassab terá três presidenciáveis: o próprio Caiado, e os governadores do Rio Grande do Sul e do Paraná, Eduardo Leite e Ratinho Junior.

As siglas têm até o fim do primeiro semestre para registrar suas chapas na Justiça Eleitoral. Mas é consenso que adiar a definição atrapalha na corrida eleitoral, e os partidos querem apresentar ao eleitorado quais nomes concorrerão até, no máximo, abril. O PL indica que a única saída possível é o PSD admitir subir ao palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, e a principal aposta de caciques do partido é justamente na desistência de Romeu Zema.

Caso o governador aceite a empreitada junto a Flávio Bolsonaro, Mateus Simões poderá terminar isolado na disputa. Por outro lado, se Zema manter o posicionamento atual, o PL tem como alternativa principal a formação de um palanque em Minas com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A aliança já era defendida desde o final de 2025 por uma ala mais ideológica do partido que se posiciona de maneira contrária a um palanque com Zema e Simões.

Integrantes deste grupo acreditam que o senador poderá fornecer um palanque mais forte a Flávio Bolsonaro do que Simões em Minas, além de dialogar com o eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O próprio Cleitinho admitiu a possibilidade à reportagem, mas reforçou que a decisão sobre a candidatura dele ao governo de Minas será tomada apenas em março.

Fonte: Jornal O Tempo – Por Simon Nascimento