Violência: Angustura vive situação que pode impactar o seu futuro
A ausência de uma política pública voltada a combater a violência, aliada à omissão de uma Associação de Moradores apática, é uma situação que pode impedir que o distrito alemparaibano vislumbre um futuro promissor.

O centenário distrito alemparaibano de Angustura, que em épocas passadas foi um dos pilares da economia rural de Além Paraíba, vive há décadas das lembranças de seu passado. Celeiro na produção de café, cereais, leite e outros produtos advindos do setor rural que causava inveja por toda região da Mata Mineira, a boa terra banhada pelo Rio Angu não é um décimo do que já foi. Vale ressaltar, inúmeros foram os angusturenses que se sobressaírem nas mais diversas áreas profissionais, como na medicina que contou com nomes como Dr. Reynaldo Manso Monteiro Nogueira da Gama, além de um dos juristas mais importantes da história do Direito Nacional, reconhecido mundialmente, como foi e é até os dias atuais o ilustre Dr. Nelson Hungria Hoffbauer.
Infelizmente, com a crise mundial que explodiu em 1929 com a queda da Bolsa de Valores de Nova Iorque, daí resultando na crise cafeeira no Brasil ocorrida no mesmo período, Angustura aos poucos foi se desvanecendo.
A diversidade de sua produção foi transformada na monocultura pecuária, restrita principalmente à cultura leiteira, com a maioria de suas grandes fazendas passando a ser meras subservientes do setor especulativo bancário. Nos dias de hoje, com o preço do leite saindo do curral a preços absurdamente baixos, para grande parcela desses produtores nada mais resta do que reclamar ou sair de pires nas mãos clamando por subsídios nem sempre ofertados pelos governos estadual ou federal.
Tal situação acabou gerando não só o desemprego, mas também fez com que o povo passasse sistematicamente a depender do poder público, como vem ocorrendo de algumas décadas para cá com os penduricalhos ofertados pela bolsa família, auxílio desemprego, vales gás, vales troca de favores políticos e o tal o Auxílio-Reclusão, instituído pela Lei n° 8.213, de 24 de junho de 1991, algo que deveria ser repensado pela forma como é oferecido.
A violência em Angustura
Quando, em dezembro de 1995, foi realizada a eleição para escolha da diretoria da recém-criada Associação de Moradores de Angustura – AMA, foi escolhida para presidente Ângela Frassinete de Queiroz, que enquanto gestora da entidade sempre teve entre suas maiores preocupações a literal ausência de um Posto Avançado da Polícia Militar no distrito alemparaibano.
Àquela ocasião, a violência já começava a tomar conta do dia-a-dia da boa terra angusturense, levando muitos jovens para a criminalidade. Incontáveis foram as gestões de Ângela, sempre acompanhada de sua abnegada amiga e companheira de chapa, Maria Lúcia Diniz Bezerra, na busca de que fosse instalado na sede do distrito um posto policial que ao menos coibisse a proliferação da violência na localidade.
Na sede do Conselho Distrital, várias reuniões contando com a participação do Comando da PMMG em Além Paraíba foram realizadas, infelizmente infrutíferas devido “ordens superiores”. Uma medida paliativa chegou até mesmo surgir, quando o então comandante Capitão PM Edil Ramos, aceitou uma sugestão da diretoria da entidade, mantendo em finais de semana dois policiais na sede do distrito, com as despesas de hospedagem e alimentação dos policiais sendo custeadas pela associação.
Passado um tempo, com a troca da direção AMA, respectivamente do comando da Polícia Militar em Além Paraíba, tal acordo, aliás não-oficial, acabou sendo desfeito, e tudo voltou a ser, como no dito popular, “como dantes no quartel de Abrantes”, o que acabou resultando na volta de inúmeras ocorrências envolvendo o crime no distrito, tais como roubos e furtos, brigas e agressões, até mesmo assassinato.
Num levantamento oficioso realizado através de arquivos de jornais alemparaibanos, entre estes o ALÉM PARAHYBA, cerca de 30 angusturenses, possivelmente até mais, na sua maioria formada por jovens entre 18 e 25 anos, cumpriram ou estão cumprindo pena por crimes diversos cometidos. Vale ressaltar, existem informações oficiosas de que vários jovens angusturenses já condenados encontram-se até mesmo foragidos dos laços da Lei.
Com relação à Associação de Moradores de Angustura, de bom tempo para os dias de hoje inexistem referências de que a entidade tenha tentado, ao menos uma só vez, gestionar junto ao Comando da PMMG em Além Paraíba a possibilidade de implantar no distrito um Posto Avançado Policial, quem sabe até mesmo solicitar deste Comando algo parecido com o que foi alcançado quando era presidente da entidade a saudosa Ângela Frassinete de Queiroz.
Ressalta-se, ainda, que mesmo sabedores dessa situação, a omissão dos poderes constituídos no município, em especial os membros do Legislativo Municipal, tanto de anos passados como os atuais, nada foi feito para tentar ao menos minimizar tal situação. “Vereador somente sabe vir a Angustura para pedir voto, principalmente em épocas de eleições”, por várias vezes tal frase foi e é ouvida pelas ruas, becos e botecos angusturenses.
De certo tempo para os dias de hoje, a violência que tomou conta de Angustura tem sido a cada dia que passa mais gritante. Nos finais de semana, por exemplo, devido à ausência de um policiamento ostensivo e não paliativo como comumente ocorre, ao final de noite ou pela madrugada, bandos de jovens são vistos se atracando entre o trajeto de um bar existente nas proximidades do prédio do Conselho Tutelar e a rua que dá acesso ao Morro do Cruzeiro.
São brigas muitas das vezes envolvendo não apenas dois antagonistas, mas vários, onde ferimentos com cortes causados por cacos de garrafas ou armas brancas são comuns. Bastasse a gravidade já que um ferimento pode até mesmo causar danos irreparáveis, quiçá até a morte, os moradores desse trecho (ali residem várias pessoas idosas, algumas com mais de 90 anos até mais) acabam acordando sobressaltadas não somente pela violência, mas também pelos gritos de socorro e palavrões.
Registra-se que no último final de semana, início da madrugada de domingo, dia 1º de fevereiro, uma mulher de nome Letícia, acusada de praticar furtos em seu dia-a-dia, foi violentamente espancada por um indivíduo que munido de um pedaço de galho de árvore relativamente grosso, a sujeitou a pancadas na cabeça e nas costas, tendo por testemunha um grande público formado, principalmente, de jovens, alguns achando correto tal justiçamento.
Vale ressaltar, as ações de justiçamento têm um crime específico previsto no Código Penal: o exercício arbitrário das próprias razões.
Além de furtos, a mulher em questão, há alguns anos atrás, cegou uma mulher com um caco de vidro. Como era menor de idade precisa dizer o que aconteceu com ela?…



