Sociedade Musical Carlos Gomes: completando 130 anos de existência em agosto próximo, instituição musical é motivo de orgulho para Além Paraíba

Prestes a completar 130 de atividades, foi fundada em 15 de agosto de 1896, a Sociedade Musical Carlos Gomes possui uma atuação marcada por muita perseverança e conquistas, se tornando a mais duradoura instituição de Além Paraíba atuando na educação musical de crianças, jovens e adultos.
Com mais de um século de vida, a Carlos Gomes é sempre presença marcante em inúmeros eventos em Além Paraíba e região, inclusive foi um dos grandes destaques na Festa de Nossa Senhora da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, na década de 1970.

Figuram como maestros personalidades como Firmino Silva, José Pinto da Silva, Octávio Pereira da Costa, Eraldo Silva, Nestor Monteiro, Wallace de Mattos, Jayme Dias Passos, Saturnino Silva, Newton Monteiro, Luiz Pinto da Cunha Júnior, Luiz Gonçalves Ribeiro, Artulírio Alves Souza e, atualmente, Hamilton Carvalho de Souza.
Sua sede social, localizada na Rua Coronel Oscar Cortes, no bairro de Porto Novo, além de abrigar eventos sociais diversos, serve de local para ensaios e aulas de música para crianças e jovens que desejam se ingressar no seu corpo sinfônico, até mesmo se profissionalizar com músico.

Os ensaios são realizados todos os domingos, pela manhã, isso quando a instituição musical não tem compromisso para se apresentar na cidade, região ou qualquer outro lugar mesmo que distante de Além Paraíba. As aulas, ministradas gratuitamente nas segundas e quartas-feiras, tem como orientador e professor o maestro Hamilton Carvalho de Souza, um dos mais talentosos músicos da região, cuja origem familiar é repleta de grandes talentos musicais, tais como os sempre saudosos Artulírio de Souza (Seu Tuil) e Milton Carvalho de Souza, pai e irmão do maestro.


“A Carlos Gomes, desde sua criação pelo maestro Firmino Silva, sempre teve por primeiro plano descobrir novos talentos na música que pudessem, inclusive, participarem de seu corpo sinfônico. Tenho orgulho de, atualmente, ser não somente seu regente, mas também, como professor, ensinar crianças e jovens, auxiliando-os na sua formação não só como músicos, mas também como bons cidadãos e cidadãs”, resalta Hamilton.
Vale ressaltar, a Sociedade Musical Carlos Gomes é uma instituição sem fins lucrativos, sobrevivendo de aluguéis de parte de sua sede social, doações e recursos advindos de subsídios do governo municipal.
Maestro Firmino Silva – 1º maestro da Carlos Gomes (*)


Nascido em São João d’El Rei no ano de 1860, Firmino Silva morava com a mãe e dois irmãos: Prisciliano Silva e outro que morreu na Guerra do Paraguai.
Firmino Silva foi um grande músico, tocava vários instrumentos, entre eles o violino e o piano. Apaixonados pela música, ele e seu irmão Prisciliano vieram bem moços para Além Paraíba e se dedicaram à arte e ao dom que Deus lhes dera. Firmino, com sua capacidade musical, rapidamente conquistou vários alunos na cidade, e seu irmão preferiu continuar estudando com mais profundidade, tornando-se um famoso maestro. Prisciliano tocava tão bem que foi premiado com um convite: tocar piano num grande concerto no Teatro de Milão, na Itália, uma das mais importantes casas musicais de toda a Europa.
Enquanto Prisciliano conquistava o povo europeu, Firmino continuou em Além Paraíba, lecionando piano, violino e outros instrumentos. E foi através da música que se apaixonou por Elvira Costa, nascida em 1880, filha de Heliodoro Costa e de Adelaide Costa, residentes na Fazenda da Arapoca. Foi seu professor naquela importante propriedade rural.
Firmino Silva e Elvira Costa se casaram em 1906, e tiveram os seguintes filhos: Ziláh, Iracema, Jucyra Silva, Marília Silva Ferreira, casada com o Inimá Santos Ferreira, Ináh e Heraldo Silva, casado com Batistina Oliveira Silva. Muitos de seus filhos seguiram a carreira de musicistas.
Esse grande músico que adotou Além Paraíba como sua terra querida formou uma linda orquestra em que participavam somente músicos competentes. Foi também um dos fundadores da Sociedade Musical Carlos Gomes, onde foi o primeiro maestro e a quem chamava carinhosamente de “minha filha mais velha”. Seu filho Heraldo foi também maestro da Carlos Gomes, com grande êxito.
Também professor, Firmino Silva fundou um colégio em sua própria casa, na Vila Laroca, onde era auxiliado por sua esposa Elvira. Foi, também, diretor do Liceu Operário, da Estrada de Ferro Leopoldina.
Após receber uma proposta de trabalho foi lecionar em Pirapetinga, e lá compôs uma valsa intitulada “Saudade de Porto Novo”, demonstrando seus puros sentimentos e a saudade da terra adotiva. Tempos depois, recebeu convite para trabalhar em Leopoldina, para ser professor no Ginásio e na Escola Normal, tendo sido um dos fundadores da “Banda Musical Santa Cecília”. Anos depois retornou para sua querida Além Paraíba.
Durante a Revolução de 1930, Firmino Silva compôs um dobrado que dedicou ao Marechal Americano Freire, que ficou muito emocionado quando ouviu pela primeira vez a música tendo-o abraçado com grande carinho.
O maestro Firmino Silva faleceu aos 72 anos de idade, no dia 12 de dezembro de 1932, deixando uma grande lacuna no cenário musical alemparaibano.
(*) Jornal Além Parahyba – Edição 311 – Grandes Vultos da História de Além Paraíba / Texto de Mauro Senra



