sexta-feira, abril 24, 2026
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Vídeo sobre a Fazenda Lordello retrata uma das mais belas e imponentes sedes de fazendas do Vale do Paraíba do Sul

A sede da Fazenda do Lordello, única em estilo Mourisco no Brasil, construída pelo Marquês do Paraná na primeira metade do século XIX. (Foto: Reprodução)

Uma das mais belas e imponentes sedes de fazendas da região do Vale do Paraíba do Sul, a Fazenda Lordello, popularmente conhecida nos municípios de Além Paraíba (MG) e Sapucaia (RJ) como Fazenda do Barão, foi alvo recente de um documentário de excelência criado por Paulo Vitor, proprietário do Hotel-Fazenda “Fazendas Antigas”, localizada no município fluminense de Sumidouro.

No documentário, que contou com a participação de um dos proprietários da Fazenda do Lordello, o jovem pecuarista Fabiano Teotônio França que divide a propriedade com sua irmã Mariana, filho e filha do saudoso empresário e produtor rural alemparaibano Marco Antônio Faria França, é retratada a bela história da construção da imponente sede da fazenda que foi construída na primeira metade do século XIX por Honório Hermeto Carneiro Leão, o Marquês do Paraná, portanto há cerca de 200 anos atrás.

Segundo relato do Portal-Site “A Casa Senhorial”, situada no município fluminense de Sapucaia, a Fazenda Lordello é uma propriedade rural construída no século XIX destinada ao plantio e cultivo de café. A entrada principal é feita a partir do portão duplo em ferro fundido que dá acesso ao caminho densamente arborizado pelo qual se chega à fazenda e às demais edificações do entorno. A casa se apresenta cercada de extenso jardim mesclando várias espécies nativas como os enormes coqueiros Buriti, além de outras mais exóticas trazidas do exterior, como o sombreiro da Jamaica.

Outra visão da fachada da sede da Fazenda Lordello, hoje propriedade dos irmãos Fabiano e Mariana Teotônio França. (Foto: Reprodução)

Instalada em uma elevação, acessada por escadas em patamar, a construção tem linhas horizontais e planta retangular, com sobrado na frente, varandas envidraças e pátio interno. Mais abaixo, à direita do platô onde se encontra a sede principal, está a construção retangular com torreão, onde originalmente se localizava o moinho de café e a tulha.

Precedida de um pequeno jardim suspenso, a frente da casa é acessada por uma escada de pedra de seis degraus localizada em correspondência ao eixo simétrico da fachada. No térreo, o corpo central é constituído da passagem em arco pleno com marcos, aduela e chave em cantaria talhadas com desenho de ramagens. 

Flanqueando o arco de entrada, um par de colunas toscanas encimadas por esculturas de leões, também em cantaria, distinguem a entrada social da residência. Apoiada sobre este conjunto, a laje de pedra com gradil em ferro fundido trabalhado com motivos vegetalistas, compõe a sacada da única porta-janela do andar superior que se abre para o amplo jardim. A porta com bandeira arqueada tem acabamento decorativo com moldura reta, sendo ainda ladeada por um par de estreitas pilastras dóricas.  

A simetria desta fachada se apresenta nos oito arcos plenos com o mesmo tratamento em pedra, que dispostos em dois blocos de quatro, constituem a extensa galeria do andar térreo; e no pavimento superior, onde o formalismo repetitivo das oitos janelas com bandeiras arqueados e cercadura reta, se distribuem igualmente para cada lado da sacada central.

Elemento bastante utilizado em palácios e casas renascentistas, as estátuas decorativas, aparecem dispostas sobre a platibanda dentiforme, demarcando o centro e as quinas verticais da fachada com pilastras dóricas que se elevam do térreo até a cornija.

Instalações, hoje desativadas, onde originalmente se localizava o moinho de café e a tulha, onde também funcionavam o engenho, sala de carpintaria e outras atividades da Fazenda Lordello. (Foto: Reprodução)

As duas faces laterais da construção demonstram, na medida em que o terreno se eleva, uma clara distinção em relação ao bloco frontal finalizado nos arcos laterais da galeria. Esta divisão se torna ainda mais evidente com a pilastra, análoga à das quinas, que remata a separação dos dois corpos que compõem o edifício. Notadamente mais simplificadas, as fachadas secundárias não apresentam o mesmo acabamento decorativo da frontaria. No alto, a platibanda dentiforme termina juntamente com a arcada da galeria, dando lugar ao telhado com beiral e cimalha. 

As laterais esquerda e direita, de tipologia semelhante, apresentam silhar elevado que inicia com cinco fiadas de pedras em aparelho isodomo, chegando aos fundos com apenas duas fiadas. Sobre o silhar corre um friso pintado à imitação de granito, separando a zona alta da parede onde estão enfileiradas as seis janelas de perfil reto.A face posterior, que abriga a entrada de serviços da casa, se assenta sobre ligeiro aclive, resultando em uma diferenciação entre as duas extremidades.

O nivelamento se dá a partir do silhar terminando na escada de pedra de dois lanços opostos, que dá acesso à sala de música na lateral esquerda. O friso pintado das faces laterais da casa dá lugar a um pequeno plinto de pedras, conferindo acabamento inferior à parede externa; enquanto a entrada para o átrio de serviço situada no centro da fachada, distribui as demais portas e janelas, compondo um total de quatro vãos para cada lado.

Na fachada principal, inúmeros detalhes decorativos têm como motivo a figura de um leão, símbolo solar e luminoso que representa nobreza, elegância e poder. (Foto: Reprodução)

Na fachada principal, inúmeros detalhes decorativos têm como motivo a figura de um leão, símbolo solar e luminoso que representa nobreza, elegância e poder. Coroando o eixo da construção, o brasão familiar envolto por ramagens floridas, com elmo e escudo guarnecido do monograma “H”, ocupa posição central sobre a platibanda. Situada logo acima do brasão, a estátua da deusa romana Ceres, matriarcal e poderosa no cultivo dos campos e das plantas, é ladeada por dois ornatos com cabeça de leão.

A cornija ressaltada que percorre toda a frontaria é secionada por estreito friso de azulejos com motivos de silhueta de um leão heráldico. O mesmo motivo pontua também a parte denteada mais alta da platibanda, a qual recebe arremate com finíssima cercadura azulejada com desenho de flores estilizadas.

A entrada principal possui pavimento ornamentado com tapete de ladrilho hidráulico policromado, cujo motivo central representa a figura de um leão; e na porta-janela que se abre para a sacada do andar superior, os alisares em cantaria tem acabamento decorativo com duas pequenas cabeças de leão flanqueando o arco da bandeira.Nas demais fachadas, todas as janelas são encaixilhadas com moldura de azulejos coloridos, formando padrão geométrico; e a parte inferior do lintel é ornamentada com sequência de pequenos losangos.

O vídeo, com a duração de pouco mais de 45 minutos, possui pormenores que poucos conhecem, e é um verdadeiro achado histórico que retrata a talvez mais bela das sedes de fazendas de todo o Vale do Paraíba do Sul.

Aproveitem…

Honório Hermeto Carneiro Leão – o Marquês do Paraná

Honório Hermeto Carneiro Leão, o Marquês do Paraná. Proprietário da Fazenda do Lordello. (litografia de Sisson pertencente ao Instituto Histórico e Geográfico do Brasil)

Honório Hermeto Carneiro Leão – Marquês do Paraná, foi uma das grandes personalidades do Brasil Imperial que construiu uma das mais belas sedes de fazendas de todo o Vale do Paraíba, a Fazenda do Lordello, fincada no distrito sapucaiense de Jamapará, bem defronte a sede de nossa Além Paraíba. Honório Hermeto foi o grande responsável pela construção da Ponte Armando Godoy, que liga Além Paraíba a Jamapará. Nascido na Vila do Paracatu do Príncipe, em Jacuí, Minas Gerais, em 1801, Honório Hermeto Carneiro Leão era filho do militar Nicolau Antônio Carneiro e de Joana Severina Augusta. De origem modesta, educou-se com a ajuda de parentes que, com muito custo, conseguiram mandá-lo para Portugal.

Em 1825, diplomado em Coimbra, embarcou de volta para o Brasil, casando-se no ano seguinte. A esposa era uma prima, Maria Henriqueta, e o casamento – segundo o costume da época – havia sido arranjado pela família. Mas é a partir desse casamento que a vida de Honório Hermeto começou a mudar de rumo.

Maria Henriqueta deu ao primo e marido quatro filhos – Honório Hermeto Carneiro Leão Filho, Henrique Hermeto, Maria Emília e Maria Henriqueta. Seu pai, tio de Honório – João Netto Carneiro Leme – era o “parente rico”, um antigo proprietário de uma empresa de beneficiar arroz, no Rio de Janeiro, passando depois para um negócio mais lucrativo na época: comprava escravos negros nos cais de Valongo e ia revendê-los a preços bem mais altos pelo interior das províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Com isso, logo ampliou a fortuna e, por ocasião do casamento da filha, era um homem riquíssimo.

No mesmo ano do seu casamento, Honório Hermeto foi nomeado Juiz de Direito em São Sebastião, no litoral paulista. Embora contrariado por ficar longe da Corte, seguiu para o posto, levando consigo a esposa e presentes do sogro: oito escravos, rica mobília e uma baixela de prata.

De gênio violento, logo se indispôs com uma autoridade militar de São Sebastião. Dois anos depois, em 1828, foi nomeado Ouvidor e, em 1829, promovido a Desembargador da Relação na Bahia (com exercício do cargo no Rio de Janeiro), ocupando, ao mesmo tempo, o cargo de Auditor Geral da Marinha.

Seu prestígio na Corte era muito alto. Pertenceu a diversos gabinetes do Governo, foi deputado provincial, senador e ministro do Império, no Segundo Reinado, presidente da província de Pernambuco, tendo sido o contratador do casamento do imperador D. Pedro II com a princesa Teresa Cristina, do Reino das Duas Sicílias.

Dona Maria Henrique Carneiro Leme, a Marquesa do Paraná, prima e esposa de Honório Hermeto Carneiro Leão.

Honório Hermeto, que desde 1836 era fazendeiro de café no Vale do Paraíba e foi o primeiro proprietário da Fazenda do Lordello (conhecida em Além Paraíba como Fazenda do Barão, em Jamapará, hoje pertencente aos filhos do pecuarista Marco França, Fabiano e Mariana, um belo patrimônio histórico de nossa região, única fazenda em estilo Mourisco no Brasil), foi grande responsável por uma política de favorecimento da agricultura, principalmente através da abertura e do melhoramento de estradas pelo interior. Através de seu prestígio, foi construída a ponte que liga Jamapará a Porto Novo (Ponte Armando Godoy), o que facilitou o escoamento da produção de café de Duas Barras, Sumidouro, Carmo e da própria Fazenda do Lordello, para a Estação de Porto Novo, que era feita através de barcos.

Em 1852, recebeu o título de Visconde do Paraná e, em 1854, o de Marquês do Paraná. Honório Hermeto faleceu em 03 de fevereiro de 1856, no Rio de Janeiro, e sua esposa, a Marquesa do Paraná, Dama Honorária de S. M. Imperatriz, foi quem terminou a construção da ponte que liga Jamapará a Porto Novo. A Marquesa do Paraná faleceu em 1872.

Em 1875, o governador da Província de Minas Gerais indenizou a Província do Rio de Janeiro, passando a referida ponte a pertencer à Província Mineira.

Henrique Hermeto Carneiro Leão, o Barão do Paraná, filho do Marquês do Paraná, parceiro e colaborador de Dr. Paulo Joaquim Fonseca na construção do Hospital São Salvador.

Henrique Hermeto Carneiro Leão, filho do Marquês do Paraná, era titular do Império com o título de Barão do Paraná. Herdou a Fazenda do Lordello, era médico e foi um grande colaborador e parceiro do médico Dr. Paulo Joaquim Fonseca na construção do Hospital São Salvador.

Fontes, fotos e vídeo: Paulo Vitor / Portal A Casa Senhorial / Jornal Além Parahyba – Edição nº 310 – Mauro Senra / Grandes Personagens de Nossa História – Editora Abril.