quarta-feira, junho 10, 2026
BRASIL E MUNDODESTAQUENOTÍCIAS

Contas em frangalhos / Herança maldita

OPINIÃO

Por Alexandre Garcia (*)

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A governadora Fátima Bezerra e o presidente Lula: uma destruiu as contas do Rio Grande do Norte; o outro está afundando o país. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

A Gazeta do Povo acaba de mostrar que está difícil aparecer candidato ao governo do Rio Grande do Norte, por causa da péssima situação do estado. Os dois mandatos da governadora Fátima Bezerra vão deixar para o sucessor dela o segundo passivo judicial entre os estados, dívida líquida superior a R$ 6 bilhões e uma folha de pagamento que consome mais da metade da receita líquida. E um terço da população está abaixo da linha de pobreza. No plano federal, a situação financeira é parecida, apenas com a diferença de que Lula corre o risco de ser seu próprio herdeiro.

A projeção de inflação é de 5,11% até o fim do ano. A meta era 3%. A dívida bruta passou de R$ 10 trilhões, o crescimento não vai chegar a 2%, há desestímulo de investimento, a indústria está desatualizada, até os serviços sentem e Lula briga com o agro, que sustenta o balanço externo. Os juros não baixam, e a população e as empresas estão endividadas. E o próximo presidente é que vai ter de pagar as bondades eleitoreiras que estão viciando parte da população contra o trabalho, a única fonte de renda. Cada vezes menos trabalham para sustentar cada vez mais programas ditos sociais que dão resultado às avessas – o Brasil é o único no mundo em que auxílios do governo aumentam a diferença de renda.

O próximo presidente vai ter de corrigir truques que desequilibraram de novo as contas públicas, com gigantismo do Estado, leniência com o crime organizado, degradação da projeção diplomática, reforma tributária a atrapalhar, descrédito nas instituições, corrupção endógena do setor público nos três poderes, e as bondades que se aproximam de R$ 200 bilhões para tentar se reeleger. A última foi uma medida provisória com R$ 30 bilhões de empréstimos para taxistas e motoristas de aplicativo, com recursos do Tesouro e do BNDES. Como não há almoço grátis, a conta virá para o eleito.

Certamente Flávio, ou Caiado, ou Zema, têm consciência dessa herança e mesmo assim continuam candidatos. Não vão poder reclamar depois. Devem saber que o Brasil tem um potencial tão grande que pode se recuperar em pouco tempo de boa gestão pública, desde que exista um “posto Ypiranga”. Já Lula tem dois caminhos. Se não for reeleito, deixa a herança como vingança e vai rir da situação difícil do novo presidente. Mas, se for reeleito, tem Trump como desculpa, tal como aprendeu com o regime cubano. Sempre é inteligente culpar o adversário pelo próprio fracasso. Vai encontrar alienados e desinformados que vão acreditar. E todos vão sofrer as consequências da continuidade da falta de responsabilidade fiscal. E serão turbinados os problemas de hoje.

(*) Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional.

Fonte: Gazeta do Povo