Presidente da Faemg diz que tarifaço preocupa, mas não assusta o agro:‘somos mais competitivos’
Antônio Pitangui defende que competitividade da agropecuária brasileira garante vantagem no mercado internacional.

Diante de um novo tarifaço dos produtos brasileiros imposto pelos Estados Unidos, que começou a vigorar na semana passada, quarta-feira (22/7), o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Antônio Pitangui de Salvo, afirmou que a medida preocupa o setor agropecuário, mas não intimida os produtores brasileiros.
Em entrevista ao programa Café com Política (Jornal O Tempo), que está ouvindo dirigentes do setor produtivo mineiro sobre expectativas para as eleições e demandas que serão apresentadas aos candidatos, a competitividade da agropecuária estadual e nacional faz com que o Brasil continue em vantagem mesmo diante de barreiras comerciais.
“Não temos medo de tarifaço, não gostamos dele e sabemos que isso irá acontecer cada vez mais conosco por uma única razão: somos os mais competitivos no mundo na grande maioria dos produtos produzidos pela agropecuária mineira e brasileira”, destacou. No programa exibido hoje, terça-feira (28/7), no canal de O TEMPO no YouTube, De Salvo criticou a mistura entre política e relações comerciais e defendeu que alimentos não devem ser alvo de disputas ideológicas.
Nesse cenário, o presidente da Faemg também criticou a polarização que tem dominado a política nacional, causando até mesmo os impactos internacionais, como as tarifas do presidente norte-americano, Donald Trump. “Eu absolutamente não tenho nenhum tipo de paixão política por A, B ou C. Não gosto dessa polarização existente no Brasil. Acho ela desnecessária. Acho que ela está tirando o foco do que precisa acontecer nesse nosso país”, avaliou De Salvo.
Para ele, é preciso criar pautas de Estado para que o país consiga progredir. “Não dá mais para ficarmos, pós-redemocratização, patinando em pautas como problemas de energia e de logística. Não dá para ficarmos com uma dependência de fertilizantes. Um país que é o maior produtor do mundo não pode mais ficar dependente de fertilizantes”, pontuou, ressaltando que o custo dos fertilizantes pesa demais nas contas do setor.
“Nós, produtores rurais, não podemos ser tratados como marginal da economia mineira e brasileira. Não seremos mais tratados assim. Representamos homens e mulheres sérios, humildes, trabalhadores que fazem municípios, Minas e um Brasil cada vez melhor”, enfatizou.
Café e carne foram preservados
O dirigente destacou que o fato de o café, principal produto da pauta de exportações do agro mineiro, ter ficado de fora da tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos, preserva um mercado estratégico para Minas Gerais. Pitangui lembrou que a cafeicultura atravessa um momento favorável após anos de dificuldades, impulsionada pela redução da oferta mundial e pelo aumento do consumo em mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia.
Além do café, a carne bovina foi outra matéria-prima brasileira que ficou imune da tarifa, mas, ainda que fosse taxada, para Pitangui, o produto também continuaria competitivo no mercado norte-americano. Segundo o presidente da Faemg, o custo de produção da pecuária brasileira é significativamente menor que o dos Estados Unidos, em razão das condições naturais de criação do rebanho no país.
“O Brasil tem uma condição única de produzir carne a pasto. Mesmo que eles venham a taxar em 25%, a nossa carne ainda chega lá mais barata do que a produzida nos Estados Unidos”, comparou.
Para o presidente da Faemg, a tendência é a de que barreiras comerciais sejam cada vez mais frequentes justamente porque o Brasil se consolidou como um dos principais competidores globais na produção de alimentos.
Fonte: Jornal O Tempo



