TrupEncanta vai participar do Encontro de Bandas em comemoração ao 130º aniversário da Sociedade Musical Carlos Gomes
A Força do Tambor: TrupEncanta resgata a tradição do Congado em Além Paraíba.

A organização do Encontro de Bandas em comemoração ao 130º aniversário da Sociedade Musical Carlos Gomes reservou um espaço para um grupo que vem conquistando efusivos aplausos junto à população alemparaibana e da região.
Trata-se da ONG TrupEncanta, fundada pelo casal Pedro Augusto Rocha Costa e Valéria dos Santos Costa, que idealizaram um projeto denominado Tambor Mineiro após assistirem uma apresentação do Grupo Ingoma, em Juiz de Fora (MG). Vale ressaltar, o Grupo Ingoma é uma organização cultural dedicada à valorização das manifestações de matriz tradicional mineira, com ênfase no Congado e no Tambor Mineiro.
Em 20 de dezembro do ano passado, Guilherme Oliveira – professor de canto, técnica vocal e fundador do TUM (Ateliê de Tambores) – compareceu à sede do TrupEncanta a convite de Pedro Augusto para ministrar oficinas de técnica vocal e de Tambor Mineiro. Na ocasião, Guilherme trouxe na bagagem cinco tambores confeccionados por seu ateliê, encomendados pela ONG.
A seguir, no limiar do mês de fevereiro último, Pedro Augusto convidou Alex Silva Alves para ministrar as aulas de tambor na instituição, e no dia 28 do mesmo mês iniciou-se a primeira aula oficial de Tambor Mineiro da TrupEncanta. O encontro inaugural contou com a participação do próprio Pedro Augusto, de Valéria dos Santos Costa, Alex Silva Alves, Mônica Braga Valério Alves, Rogério Valério Alves, Ivanice Augusto Brites Torres, Anna Beatriz Augusto Brittes de Assis e Maria Rita Gonçalves.
Com a plena aceitação por parte dos alunos, cujo número de participantes aumentou consideravelmente, a ONG encomendou mais seis tambores, daí nascendo uma verdadeira família que recebeu a denominação Oficina de Tambor Mineiro da TrupEncanta, uma semente que germinou e acabou recebendo da Secretaria Municipal, de Cultura e Turismo um convite para participar da 3ª Mostra de Arte de Cultura das Oficinas Além, evento que aconteceu em 9 de maio, na Praça dos Imigrantes, em comemoração ao Dia das Mães.
O Tambor de Minas no Encontro de Bandas

A participação no evento realizado pela Pasta da Cultura e Turismo em 9 de maio foi de grande sucesso, daí o convite para o Tambor de Minas da TrupEncanta participar da comemoração do 130º aniversário da tradicional e mais antiga corporação musical alemparaibana – Sociedade Musical Carlos Gomes. O Encontro de Bandas vai acontecer no dia 16 de agosto, portanto daqui a 34 dias a contar de hoje, 14 de julho, tendo por palco o Espaço Municipal “Dr. Miguel Belmiro de Souza”, popularmente conhecido por Vassourão.
O evento contará com a participação da corporação municipal aniversariante, de suas coirmãs Sociedade Musical Sete de Setembro e Banda Musical 4 de Maio, ambas alemparaibanas, e das representantes dos municípios de Recreio (Sociedade Musical “Maria da Conceição F. Consendey”) e Cataguases (Banda Musical “Maestro Rogério Teixeira”), e do Grupo TrupEncanta, responsável pelo resgate de uma das mais antigas tradições mineiras, o Tambor de Minas.
O Encontro de Bandas tem o apoio da Prefeitura Municipal de Além Paraíba através das Pasta de Cultura e da Educação, e algumas empresas da região e do município que aderiram à ideia patrocinando ou oferecendo apoio à realização do evento. São elas: Energisa Minas Rio, Sociedade Beneficente Dezoito de Julho, Sicoob-Credimata, Padaria Luzitana, Restaurante AnQuim (Angustura), Elizabeth Machado Soluções Financeiras, Posto Ilha, Centro de Formação de Condutores Prudente, Farmácia Galeno, Águia Auto Socorro, Viação Treze de Junho, vereador Oberdan Moreira Rocha, Personale Assistencial, Fazenda Serra Bonita / Agropecuária Zamboni, Fazenda Paraíso (Rodrigo França), vereador Reginaldo Câmara Estevanim (Regisom), Museu de História e Ciências Naturais, José Maria da Silva (Tuquinha), Rádio CPN, Loteamento Pedra de Prata, IELS (International English Languase School), além da Polícia Militar de Minas Gerais. Na semana passada, outros quatro apoiamentos alemparaibanos surgiram: Coisas de Minas (Ricardo Zamboni), 100% Embalagens (Wesley Senra e Patrícia Zamboni), Padaria do Beto (Vila Caxias) e da Garcia Atacadista / Supermercado Mini Cash (Mário e Oberdan Garcia).
O resgate da tradição do Tambor de Minas em Além Paraíba

A origem da festa de Congado está nas tradições africanas, sobretudo angolanas e congolesas, e possui uma forte ligação com a cerimônia de coroação de reis e rainhas da África Atlântica – daí a derivação o outro nome dessa celebração: O Reinado.
Quando os africanos foram escravizados e trazidos forçosamente para o Brasil, entre os séculos XVI e XIX, viram-se obrigados a se converter ao catolicismo. Para tentar manter suas tradições e costumes de origem, eles passaram a incorporar na figura dos santos católicos símbolos e representações que remetiam aos rituais nascidos na Mãe África. Desse sincretismo nasceram as irmandades religiosas, como a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que serviam tanto para acolher os africanos e seus descendentes quanto para preservar sua cultura originária.
Liderados por Chico Rei, esses povos construíram a Igreja de Santa Efigênia em Vila Rica, atual Ouro Preto (MG). Chico Rei foi uma figura tão emblemática no cenário afro-mineiro que, até hoje, Ed celebrado em festas populares por toda a cidade de Ouro Preto no mês de janeiro, sendo exaltado por meio de dança, do canto e da belíssima procissão na tradicional festa do Reinado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia do Alto da Cruz.
Registra-se que Chico Rei foi rei do Congo, capturado e transformado em escravo que foi trazido para o Brasil. (Fonte: Mega Curioso)
A cultura, a música e a arte afro-brasileira, em geral, foram transmitidas de geração a geração por meio da tradição oral, e foi no Congado que surgiu a tradição do Tambor de Minas, onde apenas um instrumento é utilizado, o tambor.
Se pensarmos que o Brasil tem 526 anos de história, o acesso que temos nos dias atuais a gravações de vídeo, áudio e até à própria escrita de partituras é algo muito recente. Houve um tempo que esses recursos não existiam, mas o povo mantinha sua cultura viva e a passava adiante oralmente.
Com o passar do tempo, parte dessas informações acabou se diluindo entre as gerações, como se fosse um “telefone sem fio”, perdendo alguns elementos pelo caminho. No entanto, ainda existem pesquisadores dedicados que reúnem informações históricas e rítmicas valiosas sobre a cultura popular afro-mineira, como a ONG alemparaibana TrupEncanta que nos remete até o Tambor de Minas que, no dia 16 de agosto próximo, estará se apresentando no Encontro de Bandas que será realizado para celebrar e aplaudir a Sociedade Musical Carlos Gomes pelo seu 130º aniversário.
Texto: Flávio Senra em parceria com Alex Silva Alves



