Entre choro, desistência e pedido de volta: entenda o impasse de Cleitinho com o Republicanos
Senador terá mais um dia decisivo nesta quarta-feira (5/8) sobre a possível candidatura ao governo de Minas nas eleições de 2026.

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) terá mais um dia decisivo nesta quarta-feira (5/8) sobre a possível candidatura ao governo de Minas nas eleições de 2026. Após o parlamentar desistir de concorrer e, no dia seguinte, voltar atrás e pedir novamente para entrar na disputa, um grupo de políticos da direita ainda trabalha para construir uma frente ampla em torno da candidatura de Cleitinho ao Palácio Tiradentes.
O Partido Liberal, por exemplo, que defende o senador na disputa para ter um palanque forte para Flávio Bolsonaro (PL) em Minas, deu até esta quarta para que o Republicanos tome uma decisão sobre Cleitinho. Se o parlamentar não for concorrer, os liberais pretendem lançar uma chapa própria ao governo de Minas.
Veja a cronologia dos últimos acontecimentos envolvendo a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas:
Convenção partidária do Republicanos
A expectativa do Republicanos era lançar a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas durante a convenção estadual da legenda, realizada no dia 25 de julho em Belo Horizonte. O senador, entretanto, não compareceu ao encontro. Uma semana antes, o irmão caçula de Cleitinho, Matheus Azevedo, tinha falecido, vítima de uma leucemia.
Na convenção, o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, disse compreender o estado fragilizado de Cleitinho e afirmou que o partido não iria pressioná-lo a tomar uma decisão – postura que mudou poucos dias depois.
Vídeo de IA
No dia 28 de julho, Cleitinho publicou um vídeo produzido por inteligência artificial em que conversa com o pai e o irmão, ambos falecidos. Na gravação, eles o aconselham a “fazer o que tem que ser feito”.
O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão do senador, interpretou a publicação como um sinal de que Cleitinho disputaria o governo de Minas. O ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão gêmeo do senador, também disse ao Café com Política que Cleitinho seria candidato.
Faltava, entretanto, o próprio Cleitinho confirmar se, de fato, iria concorrer ao governo de Minas.
Nota e pressão do Republicanos
No dia seguinte ao vídeo, o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, informou ao jornal O TEMPO que aguardaria uma definição de Cleitinho apenas até o fim do dia (29/7).
Poucas horas depois, o partido publicou uma nota assinada por Pettersen e pela executiva nacional. A legenda disse que adiou decisões estratégicas para preservar a viabilidade de uma eventual candidatura do senador. No entanto, concluiu que a decisão nunca foi tomada por Cleitinho e colocou em dúvidas a candidatura dele ao governo de Minas.
A ausência do senador na convenção do Republicanos, inclusive, foi citada no texto, que afirmava que a falta produziu “consequências inevitáveis”.
Pronunciamento de Cleitinho
No final do dia 29, Cleitinho convocou a imprensa para uma entrevista coletiva em Divinópolis, Centro-Oeste de Minas. No pronunciamento, o senador enfim confirmou que pretendia concorrer nas eleições de 2026. Ele afirmou que cumpriu todas as promessas de prazo que apresentou ao partido e que a demora na confirmação só ocorreu devido à morte do irmão.
Reunião de cinco horas
No dia seguinte (30/7), Cleitinho se reuniu por mais de 5 horas com Marcos Pereira e Euclydes Pettersen em São José dos Campos (SP) para tratar do assunto, sem resolver o impasse. Cotado a vice na chapa, o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, também participou da reunião.
Desistência da candidatura
Na segunda-feira (3/8), Cleitinho publicou um vídeo ao lado de Euclydes Pettersen e de Marcos Pereira comunicando que não seria candidato ao governo de Minas. Na publicação, o senador chora, pede perdão e afirma não ter condições emocionais de entrar na disputa em função do falecimento do irmão. O anúncio foi feito após reunião do senador com a cúpula do Republicanos, em Brasília.
Pedido para concorrer
Um dia depois de desistir, Cleitinho voltou atrás nessa terça-feira (4/8). Durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, o senador pediu ao presidente da sigla para concorrer ao governo de Minas.
“Quem nunca foi e voltou? Levante a mão, por favor […] Peço ao presidente que me dê a vaga, que eu não vou decepcionar o povo mineiro”, declarou o senador.
Marcos Pereira, porém, rebateu o pedido de Cleitinho, citando os diversos adiamentos e a instabilidade do senador sobre a candidatura.
“Exatos 10 minutos depois desse vídeo, depois que recebeu duas ligações, ele me procura dizendo: ‘agora quero gravar outro vídeo dizendo que sou candidato’. Nós não podemos brincar com a vida das pessoas. Eu não posso, senador Cleitinho. Eu seria irresponsável com o povo de Minas ao colocar o estado nas mãos de uma pessoa que ora pensa uma coisa, 5 minutos depois pensa outra”, argumentou.
Construção de aliança
Desde ontem, quando Cleitinho pediu, novamente, para ser candidato, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão (Republicanos) e o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) estariam tentando intervir pela candidatura do parlamentar.
Aro, inclusive, era considerado “plano B” do Republicanos caso Cleitinho não fosse candidato ao governo de Minas. Porém, a ideia do grupo é construir uma frente ampla de centro-direita em Minas Gerais com Progressistas (PP) e União Brasil, em federação, Republicanos e o Partido Liberal (PL).
A composição esbarra, primeiro, em uma indefinição interna. Cleitinho exige Falcão na chapa, enquanto PP e União Brasil pretendem ter, além do vice, o Senado, cujo candidato seria Aro. O segundo obstáculo é Marcos Pereira, ainda reticente sobre a candidatura de Cleitinho. Entretanto, o presidente do Republicanos estaria disposto a aceitar a candidatura de Cleitinho se os partidos chegarem a um acordo.
Fonte: Jornal O Tempo – Por Leticya Bernadete



