sábado, setembro 5, 2026
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Crise no STF se agrava, e Mendonça pede afastamento de Moraes

OPINIÃO

Por Alexandre Garcia

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A crise dentro do Supremo Tribunal Federal subiu mais um degrau nesta quinta-feira (3). Segundo apuração de Natuza Nery, da GloboNews, o ministro André Mendonça pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, o afastamento de Alexandre de Moraes do STF.

A iniciativa ocorreu poucas horas depois de Moraes encaminhar a Fachin um pedido para que fosse instaurada investigação contra o próprio Mendonça. Na petição, Moraes apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a grupos políticos na condução das investigações relacionadas ao caso Master e à Operação Sem Desconto.

O conflito se intensificou depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens e contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.

E o presidente do Supremo decidiu colocar os fatos sob exame. Fachin instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas ao caso e determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos.

O que se vê agora é algo incomum: ministros da mais alta Corte do país passaram a apresentar acusações e pedidos de providências um contra o outro, enquanto o próprio presidente do Supremo precisa reunir informações para tentar esclarecer o conflito.

A pergunta que fica é inevitável: quando a crise chega ao ponto de um ministro pedir o afastamento de outro e, simultaneamente, esse outro pedir investigação contra ele, quem deve estabelecer os limites?

O caso Master deixou de ser apenas uma investigação sobre um banco. Tornou-se também um teste para o próprio Supremo — e para sua capacidade de investigar a si mesmo com transparência, imparcialidade e respeito às regras que valem para todos.

Bethania 2026 08