quinta-feira, outubro 8, 2026
BRASIL E MUNDODESTAQUENOTÍCIAS

Hugo Motta depende de Lula para seguir presidente da Câmara

O atual presidente da Câmara, Hugo Motta, poderá se candidatar à reeleição em 2027. No entanto, o deputado enfrenta forte desgaste entre os deputados do PL e do Novo.

Bruno Spada Camara dos Deputados 372x372.jpg
PL avança para comandar a Mesa Diretora e isolar Hugo Motta na Câmara dos Deputados. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Os parlamentares da atual oposição criticam a omissão de Motta diante das pautas conservadoras. Eles ainda reclamam de arquivamentos indevidos de matérias consideradas prioritárias pela direita, do bloqueio à CPI do Caso Master e da condução administrativa, que, segundo analistas, é considerada aquém das expectativas institucionais.

Pesa também contra Motta a proximidade política construída com o Palácio do Planalto ao longo de 2026. O parlamentar facilitou votações de interesse do Executivo, o que limitou seu diálogo com o campo oposicionista.

Por essa razão, os analistas entendem que a viabilização de Hugo Motta para uma eventual reeleição na Câmara estaria ligada diretamente à vitória de Lula no segundo turno das Eleições 2026.

Mesmo assim, os partidos da base petista terão de se dedicar muito para atingir o número mínimo de votos em favor do paraibano. Os parlamentares de esquerda, somados com os de centro-esquerda, têm 167 votos estimados, 90 a menos do mínimo. O PT tem 88 votos, o PSD 43, o PSB 15, o PSOL e a REDE 15 e o PDT 6.

O Republicanos, partido de Hugo Motta, entrou oficialmente na campanha de Flávio Bolsonaro. O anúncio desta quarta-feira (4) reuniu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o presidente do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A aliança tem o objetivo de fortalecer a campanha de Bolsonaro no segundo turno das Eleições. No entanto, de acordo com interlocutores próximos às lideranças, a convergência entre o Republicanos e o PL deve seguir em 2027, sobretudo na composição das alianças que vão eleger o próximo presidente da Câmara dos Deputados.

O cientista político Sérgio Praça, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), é categórico sobre a eventual reeleição de Hugo Motta: “Ele não será reeleito presidente da Câmara”.

O especialista entende que a atuação do deputado na presidência da Casa foi frustrante e que seu estilo “de tomada de decisão pouco assertivo e o ambiente político dos últimos quatro anos não o ajudou”.

O reflexo das eleições no Senado na Câmara dos Deputados

O xadrez da disputa pela Mesa Diretora da Câmara não pode ser analisado isoladamente das eleições no Senado Federal porque o União Brasil abriga Davi Alcolumbre (AP), atual presidente da Casa e articulador natural de sua própria reeleição.

O PL vai brigar pela Mesa Diretora da Casa Alta e lançará o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato, motivado pelo crescimento expressivo da sigla durante a votação do último domingo (4), que garantiu 28 senadores eleitos.

Esse confronto direto ameaçava criar atritos entre as bancadas do PL e da Federação União Progressista na Câmara. O União Brasil poderia responder ao embate do Senado vetando o apoio ao candidato da Câmara lançado pelo PL.

Contudo, o apoio formal da federação à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, nesta terça-feira (6), reduziu o possível atrito das siglas no Senado e isolou Davi Alcolumbre.

Sérgio Praça destaca ainda que Alcolumbre perdeu capital político nas Eleições 2026 e isso vai pesar contra ele nas disputas internas do Congresso Nacional.

“Alcolumbre saiu-se muito mal nessa eleição. Seus aliados no Pará foram derrotados. Seu principal opositor elegeu-se governador. E as mensagens com Daniel Vorcaro certamente chamuscam sua imagem também. Vejo ele bastante fraco, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente da República”, destacou.

Fonte: Gazeta do Povo / Por Cristiano Carlos – Brasília

WhatsApp Image 2026 09 14 at 10.22.34