Minas Gerais se prepara para El Niño de alta intensidade
Zona da Mata, que já sofreu com as enchentes no início deste anos, está entre as áreas de atenção.

O Governo de Minas Gerais anunciou que está preparando uma série de medidas para enfrentar os possíveis impactos de um El Niño de alta intensidade, com previsão de atuação mais expressiva entre a primavera e o verão de 2026/2027. A Zona da Mata está entre as regiões que exigem atenção, devido à possibilidade de tempestades pontuais e intensas e ao risco de deslizamentos de terra.
As previsões meteorológicas e as ações de prevenção foram apresentadas pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) na terça-feira, 20 de outubro, durante um encontro com veículos de imprensa. Segundo o órgão, o fenômeno pode alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas, com impactos nos 853 municípios mineiros.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode provocar mudanças nos padrões de circulação atmosférica. De acordo com a Defesa Civil estadual, o fenômeno está próximo do pico de intensidade e deve começar a perder força a partir de abril de 2027.
O coordenador estadual de Defesa Civil e chefe do Gabinete Militar do Governador, coronel Paulo Rezende, destacou a necessidade de monitoramento contínuo e de articulação entre os órgãos públicos para reduzir os danos provocados por possíveis eventos climáticos extremos.
“Independentemente do que nós previmos até o momento, precisamos fazer um acompanhamento sistemático para informar a tempo e minimizar os impactos sociais, econômicos e na saúde”, afirmou.
Zona da Mata está entre as regiões de atenção
Segundo a Defesa Civil, as características serranas e a ocupação de áreas de encosta aumentam a preocupação com possíveis deslizamentos de terra.
A região já foi atingida por chuvas intensas no início de 2026, que provocaram mortes e deixaram milhares de pessoas desabrigadas ou desalojadas em Minas Gerais.
A previsão apresentada pela Cedec indica que, entre outubro e dezembro, as temperaturas médias podem alcançar os maiores níveis dos últimos 30 anos.
Os possíveis efeitos também preocupam os setores de abastecimento de água, agropecuária e energia. A redução da disponibilidade hídrica pode pressionar os reservatórios, enquanto períodos de estiagem entre as chuvas podem prejudicar as lavouras e provocar perda de peso do gado. Vendavais, por sua vez, podem causar danos à infraestrutura e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Governo cria comitê para enfrentar os efeitos do fenômeno
Em setembro, o Governo de Minas instituiu o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, por meio do Decreto 49.283/2026. A estrutura reúne órgãos estaduais para coordenar ações de prevenção, monitoramento e resposta às possíveis ocorrências.
Coordenado pelo Gabinete Militar do Governador, o grupo conta com representantes das áreas de meio ambiente, agricultura, desenvolvimento social, educação, saúde e infraestrutura, além da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, da Cemig e do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene).
Entre as medidas previstas estão o monitoramento de áreas suscetíveis a inundações e deslizamentos, a organização de equipes de resposta e o fornecimento de água potável a comunidades afetadas pela seca.
A proposta é facilitar a atuação conjunta dos órgãos estaduais e ampliar o suporte oferecido às prefeituras diante de situações de emergência.
Fonte: Tribuna de Minas | Foto: Leonardo Costa



