domingo, maio 31, 2026
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Carlos Marendino

Carlos Marendino, o Carlute.

Filho caçula do casal de italianos Cilistrino Marendino e Joana Bossoneto Marendino que imigraram para o Brasil no limiar do século XX, Carlos Marendino nasceu em Santo Antônio do Aventureiro no dia 10 de maio de 1903 e teve quatro irmãos: Aníbal, Francisco, Nina e Alberto.

Aprendeu as primeiras letras em uma pequena escola de fazenda na localidade onde nasceu, vindo para Além Paraíba para ingressar na Estrada de Ferro Leopoldina Railway, como aprendiz de Caldeireiro, quando tinha pouco mais de 15 anos de idade.

Em Além Paraíba conheceu Maria das Dores Raposo Alves da Cruz, nascida no dia 18 de fevereiro de 1912, filha de Joviano Alves da Cruz e de Judith Raposo. De Mariquinha, como era tratada Maria das Dores, Carlos apaixonou-se e, em novembro de 1924, com ela casou-se. Tiveram nove filhos: Ricardo, Roberto, Reinaldo, Roberto II, Ludovico, Judith, Therezinha, Cleria e Maria Ângela. O primeiro filho de nome Roberto, além de Reinaldo e Maria Ângela, faleceram ainda crianças.

A esposa Maria das Dores, D. Mariquinha, cercada dos filhos Roberto, Judith, Therezinha, Ricardo, Cleria e Ludovico.

O casal levou uma vida repleta de dificuldades uma vez que a maioria dos que integravam a classe ferroviária ganhava muito pouco, e para auxiliar nas despesas de casa, Mariquinha lavou muita roupa para fora, atendendo inúmeras famílias abastadas. Apesar das dificuldades, Carlos Marendino sempre contagiou a todos devido o espírito alegre e festeiro que lhe era natural, nunca tendo deixado a família passar privações.

Gostava muito de carnaval, tendo inclusive sido mestre-sala do Bloco Carnavalesco Rosas de Ouro. Torcedor fanático do Fluminense acompanhava atentamente pelo rádio as conquista e derrotas de seu clube de coração, e no esporte bretão alemparaibano torcia pelo Ciap, time mantido pela Fábrica de Tecidos onde seu filho mais velho, Ricardo, trabalhava como contra-mestre e atuava como meio-campista do time titular.

Acidente com bonde na Vila Laroca, que teve Carlos Marendino como uma das vítimas.

Em 1930, quando aconteceu sério acidente de bonde na Vila Laroca, uma das vítimas era Carlos Marendino, que ficou entre a vida e a morte durante mais de sessenta dias, salvando-se milagrosamente. Em 1943, então oficial de caldeiraria nas Oficinas de Porto Novo da Estrada de Ferro Leopoldina, sofreu outro grave acidente que lhe causou a amputação de parte dos dedos da mão esquerda e imobilização definitiva de outros. Mesmo com tal problema, num gesto de que o importante era o trabalho, Carlos Marendino deixou de se aposentar por invalidez para isto fazer apenas quando completasse o tempo exigido pela lei, o que aconteceu em 1950.

Durante o período em que trabalhou na ferrovia, Carlos, tratado carinhosamente por todos de Carlute, sempre foi um empregado dedicado e amigo de todos os seus colegas de trabalho. Sempre brincalhão, somente perdia a fleuma quando era chamado pelo apelido que detestava e que ninguém sabe até hoje explicar como surgiu: cajá-manga.

Inimigo da ociosidade, Carlos Marendino ficou pouco tempo desfrutando da aposentadoria. Preferiu arranjar algo para ocupar o tempo indo trabalhar em um armazém que existia na Vila Laroca e que era de propriedade de um velho e estimado amigo de longa data, Jácomo Donzeles.

Em 1959, quis o destino que a alegria de Carlos Marendino se esvaísse. Sentindo-se mal, procurou um médico que diagnosticou a existência de um câncer que causou a sua morte pouco tempo depois, em 17 de fevereiro de 1960, deixando imensa saudade em todos os familiares e os incontáveis amigos que conquistou durante toda a sua existência. Sua querida esposa, D. Mariquinha, faleceu em 22 de abril de 1975.

Fonte: Publicado no Jornal Além Parahyba – Edição n° 361 – 01/02/2006 / Texto de Flávio Senra  / Fonte e fotos: Cleria Marendino