Fernanda Finotti, titular da Pasta Municipal da Fazenda de Juiz de Fora, deixa Governo Margarida após fiascos fiscais

A secretária de Fazenda da Prefeitura de Juiz de Fora, Fernanda Finotti, deixou o cargo na manhã de ontem, quarta-feira (29), após pedir exoneração à prefeita Margarida Salomão (PT). A saída foi comunicada de forma interna: por volta das 9h, a economista publicou uma mensagem de despedida em grupos de WhatsApp direcionados a servidores da pasta e a outros secretários. Até o momento, a administração municipal não havia divulgado posicionamento oficial.
A exoneração ocorre em meio a um contexto de desgaste político e administrativo. Nos bastidores, Finotti enfrentava críticas relacionadas às negociações salariais com servidores, à condução de processos seletivos internos e, sobretudo, ao processo de licitação do transporte coletivo urbano. A secretária foi responsável por viabilizar a contratação da Universidade Federal de Juiz de Fora para a elaboração do estudo técnico que embasou o edital — posteriormente questionado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.
Ao longo de sua passagem pela administração, Finotti também acumulou atritos internos. Entre os principais pontos de tensão estão divergências com a secretária Cidinha Louzada, com a ex-secretária de Saúde Ana Luiza e com setores do próprio PT. Sua relação com a Câmara Municipal também se deteriorou ao longo de 2025 por conta da questão tributária. Integrante do núcleo mais próximo de Margarida, ela formava, ao lado da prefeita e de Louzada, o chamado “núcleo duro” responsável pela condução estratégica do governo municipal. Sua saída abre uma lacuna relevante na estrutura de gestão.
Oriunda da Faculdade de Economia da UFJF, onde é professora titular e integrante do programa de pós-graduação, Finotti tem doutorado em Finanças pela Universidade de Columbia, em Nova York. Seu nome foi referendado ainda no início da gestão pelo então reitor da universidade, Marcus David, colega de departamento.
Quando assumiu a Secretaria da Fazenda, em janeiro de 2021, a economista apresentou um diagnóstico de alerta sobre as contas públicas do município. Apesar de a prefeitura ter iniciado o mandato com cerca de R$ 123 milhões em caixa — deixados pela gestão do ex-prefeito Antônio Almas —, havia cerca de R$ 63 milhões em restos a pagar, o que reduzia o saldo efetivo disponível para aproximadamente R$ 60 milhões. Na ocasião, Finotti já projetava um déficit orçamentário de R$ 71 milhões, agravado por uma estimativa de queda de arrecadação de R$ 60 milhões ao longo do ano, totalizando um rombo potencial de cerca de R$ 130 milhões.
Sua atuação, no entanto, não mudaria o cenário fiscal, que seguiu pressionado nos anos seguintes. Em 2025, a Prefeitura de Juiz de Fora registrou déficit orçamentário R$ 620 milhões, segundo dados do TCE-MG. A previsão inicial era de arrecadação de R$ 4,07 bilhões, mas o município arrecadou R$ 3,45 bilhões — o equivalente a 84,74% do total estimado.
No início deste ano, a Prefeitura de Juiz de Fora manteve o cenário de frustração de receitas, com déficit de arrecadação de R$ 76 milhões nos dois primeiros meses do ano. Dados do TCE-MG mostram que, entre janeiro e fevereiro, o município arrecadou R$ 747,2 milhões, abaixo dos R$ 823,4 milhões previstos para o período.
O resultado evidencia um descompasso persistente entre as previsões orçamentárias e a capacidade efetiva de arrecadação do município, indicando possíveis falhas de estimativa ou dificuldades estruturais na geração de receitas. A saída de Finotti ocorre, portanto, em um momento de fragilidade fiscal e de pressão política sobre a condução das finanças públicas da cidade.
Fonte e imagem: Portal-Site Concreto Jornal



