Confirmada a programação do Encontro de Bandas pela comemoração do 130º aniversário da Sociedade Musical Carlos Gomes
Entre as participantes está a também alemparaibana Sociedade Musical Sete de Setembro que amanhã, terça-feira (23), comemora o seu 119º aniversário.

Com a confirmação e os preparativos em andamento para a sua realização, como confecção de cartazes, flyers e afins, em 16 de agosto próximo, a expectativa da comemoração do 130º aniversário da Sociedade Musical Carlos Gomes tem sido comentada por toda Além Paraíba.
Estão confirmadas as presenças de cinco entidades musicais no Encontro de Bandas: a aniversariante Carlos Gomes, suas coirmãs alemparaibanas Sete de Setembro e 4 de Maio, e as representantes dos municípios de Recreio (Sociedade Musical “Maria da Conceição F. Consendey”) e Cataguases (Sociedade Musical “Maestro Rogério Teixeira”), além do Grupo TrupEncanta/Tambor de Minas.
Vale ressaltar, o evento é uma realização da Sociedade Musical Carlos Gomes em parceria com o Jornal Além Parahyba, tendo como patrocinadores a empresa Energisa Minas Rio, a Sociedade Beneficente Dezoito de Julho, a agência alemparaibana do Sicoob-Credimata e a Padaria Luzitana. O evento ainda conta com os seguintes apoios: Prefeitura Municipal de Além Paraíba / Pastas municipais de Cultura e Turismo e da Educação, Polícia Militar de Minas Gerais, Restaurante AnQuim (Angustura), Elizabeth Machado Soluções Financeiras, Posto Ilha, Centro de Formação de Condutores Prudente, Farmácia Galeno, Águia Auto Socorro, Viação Treze de Junho, vereador Oberdan Moreira Rocha, Personale Assistencial, Fazenda Serra Bonita / Agropecuária Zamboni, Fazenda Paraíso, vereador Reginaldo Câmara Estevanim (Regisom), Museu de História e Ciências Naturais, José Maria da Silva (Tuquinha), Rádio CPN, Loteamento Pedra de Prata e IELS (International English Languase School).
Também vale destacar que na realização do evento, que acontecerá no Espaço Comunitário “Dr. Miguel Belmiro de Souza”, popularmente conhecido como “Vassourão”, o público presente contará com a participação de barracas de produtos artesanais alemparaibanos.
Encontro de Bandas
Com o propósito de oferecer maiores informações sobre as entidades musicais que estarão participando das comemorações do 130º aniversário da Sociedade Musical Carlos Gomes, a Redação do Jornal Além Paraíba pretende, até data de sua realização, levar ao público leitor um breve histórico sobre cada uma das entidades participantes.
E dando início, e por entender a importância da coirmã da aniversariante no contexto histórico do município que, aliás, no próximo ano estará completando 120 anos de existência, nada melhor do que oferecer aos leitores um breve relato de nossa Sociedade Musical Sete de Setembro, cuja sede está fincada no bairro onde nasceu, São José.
Tenham todos uma boa leitura…
Sociedade Musical Sete de Setembro

O povoamento de Além Paraíba iniciou-se em dois núcleos: São José e Porto Novo. O bairro de São José tornou-se a sede do município, onde seus moradores mais ilustres pertenciam à aristocracia rural; já Porto
Novo, tornou-se um bairro burguês, onde foi desenvolvido o comércio.
A rivalidade entre esses dois núcleos vem de longa data, desde o surgimento da ferrovia. Em Porto Novo foi construída a bela e imponente Estação Ferroviária e a ponte sobre o Rio Paraíba do Sul e, em São José, foi construída uma pequena estação, não menos importante, e a magnífica Igreja Matriz.
O bairrismo era tão forte que os moradores participavam de todas as iniciativas que visavam dar aos bairros uma posição de melhor destaque. Em 1896, o assunto em voga era a criação de um grupo musical no bairro de Porto Novo, denominado Grupo Musical Carlos Gomes, provocando um sentimento de satisfação e orgulho por parte da população local.
Os moradores de São José sentiram-se inferiorizados com a liderança cultural e musical daquela localidade. A mobilização começou a acontecer, a comunidade toda foi contagiada. Após uma reunião na Praça Coronel Breves ficou deliberado que São José possuiria, também, seu grupo musical.
No dia 23 de agosto de 1897, na residência de Manoel Correia Júnior, foi criado o Grupo Musical São José e o seu primeiro regente foi o próprio Manoel. Decorridos seis meses de ensaios, os componentes já estavam aptos para as primeiras “tocatas”.
De Manoel Correia Júnior, outros regentes passaram pelo grupo musical, como Antônio Euzébio dos Santos, Nelson de Barros, Acir Figueiredo (vindo da cidade de Santo Antônio de Pádua por indicação do influente diretor João Pereira Filho). O grupo foi elevado à condição de Banda Musical, passando-se a se
chamar Sociedade Musical Sete de Setembro, no dia 23 de junho de 1907. Naquela época, foi eleito o primeiro presidente da corporação, o Sr. Antônio Euzébio dos Santos.
Por volta de 1913, após uma reunião, o mestre Acir Figueiredo foi bastante criticado por alguns diretores insatisfeitos com o baixo rendimento da Banda. Recebeu as críticas com humildade e buscou aprimoramento.
Em 1914, Acir Figueiredo foi convidado para reger a Banda de Leopoldina, recebendo uma proposta que se tornou irrecusável e, com isso, transferiu-se para a vizinha cidade. A situação da “Sete” estava muito difícil financeiramente e, com o afastamento do maestro, ficou pior
Surgiu então Tolentino Oliveira que, durante dois anos, permaneceu à frente das atividades com indiscutível brilhantismo.
Levi Reis Rodrigues, vindo da cidade de São João Del Rey para regência do coral da Igreja Matriz de São José, foi convidado também para reger a Banda Sete de Setembro na mesma ocasião. Aceitou o cargo e, com muito brilho e a inteligência que lhe era peculiar, ficou de 1917 a 1919, quando foi assumir o cargo de escrivão na vila rural de Angustura.
Acir Figueiredo, vindo passear e rever os amigos na cidade, tocado pelos apelos feitos, não se fez rogado e
aceitou retornar ao cargo de maestro, no qual se manteve até 1926.
Desde 1921, Dr. Jarbas Salles Marques vinha no comando da presidência da Sociedade Musical Sete de Setembro e, com os demais membros da diretoria, elegeu o Sr. Euclides Vasconcelos Barbosa – o “Mestre Tita”- para reger o corpo sinfônico, atuando por mais de quatro décadas.
Com o apoio de “Mestre Tita”, o presidente Dr. Jarbas Salles Marques traçou um grande projeto: a construção da sede própria da Sociedade Musical Sete de Setembro, com a participação de toda a diretoria e, em 1928, foi concretizada a ideia: estava pronta a sede da Sociedade Musical, valendo ressaltar que dois
artífices foram destaques na construção da sede: Olimpio Pereira de Souza e Francisco Gomide. Era o sonho transformado em realidade.
A história registra pessoas importantes no desenvolvimento da Sociedade Musical Sete de Setembro, e entre tantas podem ser citadas: Joaquim Dias Moreira (Quinzoca), Walter Lobo, José Silveira, Francisco Sotero da Rocha, José Maria dos Santos Faria e muitos outros. Figuras femininas também foram destaques na história da banda, dentre elas: Hermínia Barbosa Fernandes, irmã do Mestre Tita; Lectícia Risoleta da Silva Mattos, Ana Mattos de Oliveira (Naná) e outras mais.
Atualmente presidida por Rodrigo de Barros Cesário, o corpo sinfônico da Sociedade Musical Sete de Setembro é formado por 25 músicos liderados pelo maestro e regente Edson Mauro Silveira Costa. Edson Mauro ainda é o responsável por aulas de teoria musical e instrumental que são ministradas gratuitamente, às terças e sextas-feiras das 16 às 20 horas, e aos sábados, das 12 às 14 horas.
Apesar das dificuldades financeiras que como todas as entidades sem fins lucrativos enfrentam por todo país, a Sociedade Musical Sete de Setembro comemora amanhã, dia 23 de junho, o seu 119º aniversário de fundação sem maiores alardes ou comemorações. Entretanto, no próximo domingo, dia 28, seu corpo sinfônico, acompanhado de seu regente, maestro Edson Mauro, estará presente no Festival de Inverno de Guarará, município distante 95 quilômetros de Além Paraíba, participando de um encontro de bandas que contará com um total de 16 entidades musicais da região.






