Ex-presidente do STF detona Moraes e diz: “Não tivemos isso nem no regime militar”
Ex-presidente do STF Marco Aurélio Mello volta a viralizar com críticas a Alexandre de Moraes após operação contra fonte de jornalista no Maranhão.

Uma operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu o debate sobre os limites de atuação do magistrado. A ação, realizada na terça-feira (11), teve como alvo Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão, identificado pela Polícia Federal (PF) como a principal fonte do jornalista Luís Pablo. As reportagens em questão, publicadas no fim de 2025, denunciaram o uso indevido de veículos oficiais pela família do ministro Flávio Dino.
Declarações de Marco Aurélio Mello ganham nova repercussão
Após a decisão de Moraes contra a fonte jornalística, uma entrevista concedida por Marco Aurélio Mello, ex-presidente do STF, ao Estadão em julho de 2025 voltou a circular amplamente na internet. Na ocasião, o ex-ministro fez duras críticas à condução dos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo, questionando a competência da Corte para julgar cidadãos que não mais exercem mandato.
“Supremo não é competente para julgar cidadão comum, para julgar originariamente ex-presidente da República, ex-deputado federal ou ex-senador. Basta que indaguemos: o atual presidente, quando respondeu criminalmente, ele o fez onde? Na 13ª Vara Criminal de Curitiba. A legislação não mudou. Por que o ex-presidente Bolsonaro está a responder no Supremo? Isso é inexplicável, e a história em si é impiedosa, vai cobrar essa postura do Suprem”, declarou.
Para ilustrar sua argumentação, Marco Aurélio Mello recorreu ao caso do petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acabou preso em 2018 após ser julgado pela Justiça comum, e não pelo STF.
Preocupação com a liberdade de imprensa e censura prévia
Ainda durante a mesma entrevista, o ex-ministro demonstrou inquietação com o que classificou como cerceamento da imprensa e censura prévia, decorrentes da postura adotada por Moraes em relação ao caso envolvendo Bolsonaro. A restrição imposta ao então réu e a terceiros para se manifestarem publicamente foi alvo direto de suas críticas.
“Eu só espero que essa postura não acabe intimidando a grande imprensa. E gere um cerceio e gere consequências inimagináveis. Não se coaduna com o Estado Democrático de Direito o que vem ocorrendo. Nós não tivemos isso sequer quando vivenciamos o regime de exceção, que foi o regime militar”, afirmou.
Desgaste institucional e a atuação do ministro Moraes
Marco Aurélio Mello foi além e disse que gostaria de “colocar Moraes em um divã” para compreender suas motivações. Segundo o ex-presidente do STF, as ações do ministro estariam causando desgaste significativo à instituição.
“Eu teria que colocá-lo em um divã e fazer uma análise talvez mediante um ato maior, e uma análise do que ele pensa, o que está por trás de tudo isso. O que eu digo é que essa atuação alargada do Supremo, e uma atuação tão incisiva, implica desgaste para a instituição… A história cobrará esses atos praticados. Ele (Moraes) proibiu, por exemplo, diálogos. Mordaça, censura prévia, em pleno século que estamos vivendo. É incompreensível”, disse.
A operação contra Raimundo Cutrim reforçou as preocupações levantadas por Marco Aurélio Mello há mais de um ano, especialmente no que diz respeito à proteção de fontes jornalísticas e à liberdade de imprensa no Brasil.
Fonte: Portal-Site Contra Fatos



