segunda-feira, maio 4, 2026
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OPINIÃO

Um um dia para todos…

Por Flávio Senra (*)

Numa conversa informal com um dileto amigo na tarde de ontem, quarta-feira (19), este teceu inúmeras críticas à imprensa alemparaibana de forma generalizada relatando a subserviência de alguns “colegas” aos poderes constituídos no município. Além de algumas citações que prefiro não relatar, fui advertido de que, na opinião dele, eu deveria tomar cuidado pois seria de seu conhecimento de que teria ocorrido um encontro entre um grupo de “cidadãos” cuja finalidade seria me prejudicar – “estão armando um cilada contra você”, foram as palavras citadas.

Desde junho de 1993, portanto já fazem 31 anos, tive a rara oportunidade de reativar um dos mais importantes veículos de comunicação de nosso município, o Jornal Além Parahyba, criado no ano de 1923 por dois dos maiores nomes de nosso município – José Mercadante e Dr. Antônio Augusto Junqueira, que convidaram Nestório Valente para assumir sua linha editorial.

Tem sido uma árdua tarefa honrar o propósito destes três homens, mas venho tentando com a certeza de que, mesmo com os erros que cometo as vezes, trilho o caminho certo que foi traçado desde então, que é o de informar e defender os interesses do povo que nem sempre possui voz com os aventureiros de plantão que surgem em nosso dia-a-dia buscando levar vantagens com a desgraça alheia.

Não é a primeira vez que ameaças surgem em meu caminho como editor deste centenário veículo de comunicação. Falar a verdade nem sempre agrada a todos, principalmente quando isto interfere com propósitos escusos que são utilizados por certos indivíduos no sentido de levar vantagem prejudicando os menos favorecidos, em especial o povo que nem sempre pode contar com quem escolhe para defendê-lo.

No meu entendimento, e acredito que deveria ser uma regra para todos aqueles que escolheram trabalhar como profissional da imprensa, é a de que esta forma, entre outras, sempre será uma instância de debate e de troca de informações que serve como controle de qualidade na gestão pública, divulgando o que faz e mantendo um relacionamento adequado com todos os veículos de comunicação. Daí, faço e sempre tive como maior objetivo à frente do Jornal Além Parahyba, oferecer três coisas ao nosso leitor: informação correta, interpretação objetiva sobre essa informação e pluralidade de opiniões sobre os fatos.

Se isto atrapalha a vontade de alguns, a quem trato por espertalhões, o que posso fazer?

Certa ocasião, um juiz norte-americano de nome Hugo Lafayette Black, também ex-senador e membro da Suprema Corte daquele país que é exemplo de democracia, muitas vezes considerado um líder da defesa dos direitos da Primeira Emenda, como a liberdade de expressão e de imprensa, se recusou a aceitar a doutrina na qual a liberdade de expressão poderia ser restringida em função da segurança nacional.

Em 1971, num dos mais emblemáticos casos jurídicos lá ocorridos, no caso específico envolvendo dois dos mais importantes jornais norte-americanos, o New York Times e o Washington Post versus Estados Unidos, ele votou pela permissão dos jornais publicarem os Pentagon Papers, que versava sobre a Guerra do Vietnan apesar da Administração Nixon alegar que a publicação teria implicações de segurança. Em seu voto concordante, o juiz Black afirmou:

“Na Primeira Emenda, nossos Pais Fundados deram à livre imprensa a devida proteção para que realizasse seu papel essencial em nossa democracia. A imprensa serviria aos governados, e não aos governadores. O poder do Governo de censurar a imprensa foi abolido para que a imprensa permanecesse sempre livre para censurar o Governo. A imprensa foi protegida para que pudesse expôr os segredos do governo e informar o povo. Apenas uma imprensa livre e irrestrita pode efetivamente demonstrar as decepcões em uma governo. […] A palavra ‘segurança’ é uma generalidade ampla e vaga cujos contornos não devem ser invocados para anular os direitos fundamentais encarnada pela Primeira Emenda”, foi o relato de seu voto.

Vale ressaltar, meses depois, dois jornalistas do mesmo Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, descobriram e foram autores de uma da mais relevantes reportagens até hoje vivenciadas na história dos Estados Unidos, o caso Caso Watergate, o escândalo político ocorrido em meados de 1972, cujas investigações posteriores culminaram com a renúncia, em agosto de 1974, do presidente Richard Nixon, do Partido Republicano. “Watergate”, de certo modo, tornou-se um caso paradigmático de corrupção, valendo ressaltar que Nixon é o único governante norte-americano a renunciar de seu cargo desde George Washington até os dias de hoje.

Finalizando, deixo aos meus algozes a certeza de que suas ameaças nunca irão me amedrontar…

(*) Flávio Senra é editor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993.