“Reaja, Brasil”
EDITORIAL
Por Flávio Senra (*)

Utilizando o slogan “Reaja, Brasil”, as redes sociais estão sendo invadidas no cenário brasileiro de uma forma nunca antes vista. Isto se deve que o chamamento, ao contrário de outras vezes, quem tem conclamando tal “invasão às ruas”, não só das capitais e grandes cidades do país, são pessoas comuns, a maioria não alinhadas à classe política.
A manifestação está prevista para acontecer no próximo domingo, dia 03 de agosto, e segundo as inúmeras mensagens vislumbradas no chamamento, os atos ocorrerão numa forma de protesto às inúmeras situações que tem como personagens principais o Sistema Judicial, leia-se Supremo Tribunal Federal (STF), e a atual gestão federal liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, para muitos, está mais perdida do que cego em tiroteio.
Entre as várias argumentações relacionadas ao STF estão as condenações ditadas pelo órgão contra muitos brasileiros que participaram das manifestações de 08 de janeiro, acusadas de terroristas que seriam responsáveis pelas depredações ocorridas na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Somente para exemplificar, uma cabeleireira, por ter pichado com batom a frase “Perdeu, Mané” na estátua que fica instalada diante do prédio do STF, foi condenada a 17 anos de prisão em regime fechado. Se levado em conta tamanho absurdo, existem casos de assassinatos e outros crimes violentos, como estupro, verificados Brasil afora onde os assassinos foram condenados a penas bem inferiores, alguns deles até hoje soltos pelas ruas devido recursos jurídicos apresentados por seus advogados.
Deve ser observado, também, que quem fez a acusação, julgou e sentencionou a cabeleireira foi uma única pessoa, o que não devia ocorrer. Vale ainda ressaltar, o quantitativo de idosos condenados é algo absurdo, todos condenados e devidamente trancafiados como terroristas – até mesmo um pipoqueiro e um vendedor de água que estavam comercializando seus produtos no local da manifestação foram condenados, como se as pipocas e garrafas pet de água fossem bombas, granadas, metralhadoras, etc.
Outro exemplo absurdo, relatado em todos os noticiários dias atrás, foi o mesmo ministro-juiz ter determinada a prisão de duas idosas que estavam detidas em regime domiciliar, uma cadeirante e a outra utilizando muletas, de idades de 71 e 73 anos, porque as tornozeleiras que lhes foram impostas apresentou defeito. Aliás, segundo juristas renomados, o STF não poderia sequer estar cuidando dessas ações judiciais, pois antes deveriam passar pela primeira instância, seguido de uma segunda.
A manifestação, segundo os organizadores, também serão para formalizar, mais uma vez, um protesto contra o que, afirmam, ser a perseguição sistêmica ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, cuja sentença deverá ser apresentada nos próximos meses
A previsão dos organizadores das manifestações prevê que o público que vai comparecer aos atos do próximo domingo deve superar todos os já realizados nos últimos meses. E caso os atos não provoquem uma mudança no que afirmam ser ilegal, algumas categorias profissionais estão dispostas até mesmo a partir para outras manifestações, como a que já vem sendo apregoada pelos caminhoneiros de todo país – parar de vez, sem tempo previsto de volta, o que certamente deve trazer mais prejuízos que o tarifaço de Trump já que pode desabastacer todas as famílias brasileiras, até mesmo provocar um índice de inflação somente visto durante o governo José Sarney, isto ocorrido pelos idos da década de 1980.
Para a chamada esquerda brasileira, que tempos atrás realizou manifestações diversas, como as que ocorreram quando o atual presidente Lula estava presidiário, bem como promoveu uma ampla destruição também na Praça dos Três Poderes, os atos do próximo domingo “é coisa de nazistas e baderneiros”.
Aguardemos os fatos…
(*) Flávio Senra é o editor Jornal Além Parahyba desde o ano de 1993



