Denúncia aponta golpe com falso médico no Hospital de Cataguases
Também pode ter ocorrido um vazamento de dados dos pacientes.

Uma denúncia registrada na Polícia Militar, Polícia Civil e encaminhada ao Ministério Público aponta a atuação de um golpista que se passou por médico do Hospital de Cataguases para extorquir dinheiro de uma familiar de paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O caso também levanta suspeitas de vazamento de dados sensíveis do prontuário médico, o que pode configurar violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
De acordo com o documento, a denunciante, Amanda Amancio, é sobrinha e responsável legal por Mauro Sérgio da Costa, internado no Hospital de Cataguases desde o dia 5 de janeiro de 2026. Com o agravamento do quadro clínico, o paciente foi transferido para a UTI na noite de 9 de janeiro.
Na manhã do dia seguinte, 10 de janeiro, por volta das 10h38, Amanda recebeu uma ligação via WhatsApp de um homem que se apresentou como “Dr. Marcelo Melo”. Segundo o relato, o interlocutor demonstrava domínio técnico, utilizava linguagem profissional e tinha conhecimento detalhado do estado de saúde do paciente, além de dados pessoais e do fato de que o telefone da denunciante era o único contato informado ao hospital.
Durante a ligação, o falso médico afirmou que o paciente estaria com uma hemorragia e que necessitava de um procedimento urgente, alegando que a espera por autorização do SUS poderia ser fatal. Em seguida, solicitou um pagamento imediato de R$ 2.200,00 via PIX para a realização do procedimento. Em estado de desespero emocional, a familiar efetuou a transferência para uma conta em nome de Lorrany da Silva Lima.
Pouco depois, às 11h02, o mesmo número entrou novamente em contato solicitando um segundo PIX, no valor de R$ 850,00, referente a ampolas e contraste, pagamento que também foi realizado. Minutos depois, o golpista ainda tentou obter um terceiro pagamento, alegando erro na soma dos valores, o que levantou suspeitas por parte da denunciante, que se recusou a fazer nova transferência.
Ao perceber a possível fraude, Amanda entrou em contato com a Caixa Econômica Federal para solicitar a contestação dos valores e, mais tarde, registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar de Cataguases. Segundo ela, a ação foi motivada pelo desespero de tentar salvar a vida do tio, que permanece internado na UTI.
No documento, a denunciante afirma que não pretende responsabilizar o hospital institucionalmente, mas cobra uma investigação rigorosa para identificar quem teve acesso aos dados do prontuário do paciente entre a noite do dia 9 e a manhã do dia 10 de janeiro, intervalo em que o golpe teria sido articulado. Para ela, a principal linha de investigação é identificar como informações médicas e pessoais, que deveriam ser sigilosas, chegaram às mãos dos criminosos.
A denúncia é acompanhada de prints de conversas, comprovantes de transferências via PIX, registros de ligações telefônicas e outros documentos que, segundo a autora, podem auxiliar na identificação dos responsáveis.
O Secretário Municipal de Saúde de Cataguases, Vinicius Franzone, responsável pela intervenção no Hospital de Cataguases, disse ao Portal-Site Marcelo Lopes que informa constantemente aos pacientes que todos os serviços ali prestados são realizados pelo SUS, portanto, sem cobrança de qualquer taxa. Ainda segundo ele, este episódio levou o Hospital a se manifestar novamente nas redes sociais em mais um alerta para evitar que golpes como este se repitam. Por fim, lamentou o episódio e disse que a situação está sendo apurada.
Fonte e foto: Portal-Site Marcelo Lopes



