The Intercept Brasil
OPINIÃO
Por Flávio Senra (*)

Conhecido pelo seu alinhamento à esquerda brasileira, tendo como um de seus representantes o jornalista norte-americano Glenn Greenwold, o The Intercept Brasil é um veículo de mídia digital conhecido por sua linha editorial literalmente alinhada ao campo progressista e da esquerda brasileira.
Suas publicações, na maioria das vezes, sempre tiveram por foco publicar reportagens críticas a governantes e políticos de aspecto conservador, tanto que certa vez o ministro do STF Flávio Dino chegou a dizer que a “Intercept é a esquerda que a direita gosta”.
Registra-se que Greenwold teria afirmado, segundo a revista Veja, “que um dos adventos à tese do processo de impeachment da então presidente Dilma Roussef seria uma tentativa de Golpe de Estado, uma trama das elites políticas brasileiras com o auxílio da mídia corporativa para tomar o poder executivo”.
Para o jornalista, radicado no Rio de Janeiro, o governo da ex-presidente foi injustamente acusado de cometer crimes de responsabilidade fiscal ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais” (atraso proposital no repasse de recursos a bancos públicos para mascarar o déficit) e a edição de decretos de crédito suplementar sem a aprovação do Congresso.
O processo que levou ao afastamento da ex-presidente envolveu os seguintes pontos principais:
· Pedaladas Fiscais: O governo foi acusado pelo Tribunal de Contas da União de atrasar repasses obrigatórios a bancos estatais (como Caixa e Banco do Brasil). Isso forçou essas instituições a arcarem com despesas sociais do governo, o que foi configurado como operação de crédito não autorizada.
· Decretos sem autorização: A denúncia apontou a abertura de créditos suplementares via decretos presidenciais, alterando o orçamento sem o aval prévio do Poder Legislativo.
· Contexto de Crise: O cenário político e econômico da época era de forte recessão, inflação em alta, queda na popularidade presidencial e forte pressão dos partidos de oposição.
· Aprovação no Congresso: Em dezembro de 2015, o processo foi aceito na Câmara dos Deputados. O afastamento definitivo ocorreu em agosto de 2016, após votação no Senado Federal, onde o mandato foi cassado, mas os direitos políticos foram mantidos em votação fatiada.
O tema ainda divide opiniões.
Enquanto os defensores do impeachment argumentam que houve o cometimento de crimes contra a lei orçamentária e o equilíbrio fiscal, críticos da medida, entre estes o The Intercept Brasil, leia-se no Brasil o norte americano Glenn Greenwold, classificam o processo como um golpe parlamentar e político para retirar o Partido dos Trabalhadores (PT) e a esquerda do poder.
No Brasil, Greenwold esteve ligado ao também jornalista David Michael Miranda, ex-vereador do Rio de Janeiro pelo PSOL (2017/2019) e ex-deputado-federal pelo PDT (2019/2023), falecido maio de 2023, com quem foi casado. Em 2013, David Michael foi considerado pelas autoridades inglesas e norte-americanas como suspeito de terrorismo internacional. Para justificar a suspeita, a Inglaterra fez uso de lei britânica antiterrorista – o Anexo 7 do Terrorism Act 2000, o equivalente britânico do PATRIOT Act americano. A Anistia Internacional contestou essa afirmativa.
Voltando ao contexto inicial, que foi o de revelar o quê e quem é a The Intercept Brasil, fica a critério de cada leitor pensar o que quiser. Se ela tem credibilidade ou não em suas afirmativas, a maioria em defesa do viés progressista que defende inúmeras situações que para grande maioria da população são aberrações, ou se toda e qualquer informação por ela levada ao público deve ser defenestrada, por qua não dizer jogada na latrina?
(*) Flávio Senra é editor e diretor o Portal-Site Jornal Além Parahyba



