sexta-feira, janeiro 16, 2026
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Conheça Dom Marco Aurélio Gubiotti, novo arcebispo de Juiz de Fora

Mineiro de Ouro Fino, bispo deixa Itabira-Coronel Fabriciano e toma posse em 07 de março.

Dom Marco Aurélio Gubiotti: novo arcebispo de Juiz de Fora foi indicado por Dom Gil. (Foto: Diocese de Itabira)

O Papa Leão XIV aceitou o pedido de renúncia do arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira. Com isso, Dom Marco Aurélio Gubiotti foi nomeado ontem, quinta-feira (08), para assumir o comando da Arquidiocese.

Indicado por Dom Gil, o novo arcebispo deixa a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano e deve tomar posse em Juiz de Fora no dia 7 de março, conforme informou o antecessor. O horário da cerimônia ainda será divulgado.

Da Diocese de Itabira a Juiz de Fora

Guiado pelo lema “Pela graça de Deus”, Dom Marco Aurélio nasceu em Ouro Fino, no Sul de Minas, e tem 63 anos. Estudou Filosofia no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre e cursou Teologia no Instituto Teológico SCJ, em Taubaté (SP).

Ao longo do ministério, atuou nas paróquias São Caetano (Brasópolis), Santo Antônio (Jacutinga), Nossa Senhora Aparecida (Tocos do Moji), São Sebastião (São Sebastião da Bela Vista) e Nossa Senhora de Fátima (Santa Rita do Sapucaí e Pouso Alegre).

É mestre em Sagradas Escrituras pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção (SP). Também colaborou na formação no Seminário de Pouso Alegre, foi diretor do Instituto Teológico Interdiocesano São José (2000 a 2005) e diretor-geral da Facapa – Faculdade Católica de Pouso Alegre (2006 a 2009). Na instituição, lecionou Sagrada Escritura no curso de Teologia entre 2000 e 2013.

Vocação e missão partilhada

Em entrevista ao Diário do Aço em 2023, Marco relatou que o chamado ao sacerdócio surgiu ainda na adolescência. Na conversa, o novo arcebispo de Juiz de Fora também destacou a relevância da figura do padre e observou que o bispo exerce sua missão com o apoio de colaboradores, em um trabalho partilhado. Segundo ele, além do pastor da diocese, a Igreja se sustenta em lideranças locais que acompanham de perto o cotidiano das comunidades.

Na mesma entrevista, Marco comentou temas há anos em debate na Igreja Católica. Ao falar sobre possíveis mudanças em pautas consideradas sensíveis, como o celibato e o papel das mulheres, afirmou que o papa Francisco já ressaltou que o celibato não é um dogma de fé, o que amplia o espaço para reflexão. Para o bispo, embora a discussão tenha ganhado mais frequência, não há sinalização de alterações no curto prazo, já que o celibato é entendido como um valor ligado à consagração total à vida religiosa, presente também em outras tradições. Ele avalia que o atual pontificado demonstra maior abertura ao diálogo, mas sem expectativa de mudanças imediatas.

Sobre a participação feminina na Igreja, Marco Aurélio disse perceber avanços importantes, impulsionados por orientações do papa Francisco nos últimos anos. Ele lembrou que, apesar de não haver ordenação feminina, mulheres passaram a ocupar funções de assessoria e cargos de maior responsabilidade, com reconhecimento oficial. Na avaliação do bispo, ampliar esse espaço é uma forma de evitar a reprodução de estruturas patriarcais e machistas dentro da Igreja, valorizando a contribuição das mulheres para além de atividades tradicionalmente atribuídas a elas.

Meio ambiente como pauta

Em entrevista ao Diário de Itabira, o sacerdote também abordou o tema das barragens e afirmou que se sente pessoalmente impactado por ter vivido, à época, em uma área classificada como de risco e por circular com frequência por municípios que convivem com esse tipo de estrutura. Ele mencionou o entendimento do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) de que a condição de “atingido” não deve ser definida pelas empresas, mas pela própria pessoa: se alguém afirma se sentir atingido, essa percepção deve ser reconhecida.

O religioso contou que, meses após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, chegou a relatar esse sentimento a representantes da Vale, dizendo que se considerava atingido por estar em uma cidade com várias barragens e temer que algo semelhante pudesse ocorrer. Segundo ele, a tragédia de Brumadinho, anos depois, reforçou a avaliação de que o temor era justificável.

Para o bispo, o debate sobre barragens precisa mobilizar toda a sociedade, e não apenas a Igreja. Ele defende que, por se tratar de um problema social, a responsabilidade pelas discussões deve envolver a sociedade civil organizada, o poder público e diferentes setores – inclusive pessoas de outras crenças ou sem religião. Sobre o papel da Igreja, negou que deva ocupar lugar de protagonismo, mas afirmou que pode integrar essa articulação, inspirada pela ideia de que os bens da natureza pertencem a todos e exigem compromisso coletivo.

Linha do tempo

Formação Escolar e Acadêmica

·         1971 a 1978: Ensino Fundamental, na Escola Estadual Francisco Ribeiro da Fonseca, em Ouro Fino (MG)

·         1979 a 1981: Ensino Médio, no Colégio São José de Pouso Alegre (MG), durante o período em que fez o Seminário Menor, no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre.

·         1982 a 1984: Curso de Filosofia, no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre.

·         1985 a 1988: Curso de Teologia, no Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté (SP).

·         1997 a 1999: Curso de Mestrado na Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo (SP).

·         2000: Mestre em Estudos Bíblicos, pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo (SP).

Trajetória Eclesiástica

·         19/12/1987: Ordenação Diaconal, na Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Gonçalves (MG).

·         14/01/1989: Ordenação Presbiteral, na Paróquia São Francisco de Paula, em Ouro Fino.

·         1989 a 1991: Vigário Paroquial, Paróquia São Caetano, em Brasópolis (MG).

·         1992: Vigário Paroquial, Paróquia Santo Antônio, em Jacutinga (MG).

·         1993 a 1996: Pároco, Paróquia Santo Antônio, em Jacutinga (MG).

·         2000 a 2005: Formador da Comunidade Teológica do Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre e Diretor do ITISJ (Instituto Teológico Interdiocesano São José).

·         2000 a 2005: Trabalhos Pastorais nas paróquias: Nossa Senhora Aparecida, em Tocos do Mogi/MG; São João Batista e São Cristóvão, em Pouso Alegre.

·         2000 a 2013: Professor na área de Sagrada Escritura do Curso de Teologia, no Instituto Teológico Interdiocesano São José e na FACAPA (Faculdade Católica de Pouso Alegre).

·         2006 a 2009: Diretor Geral da FACAPA e Administrador Paroquial, Paróquia São Sebastião, em São Sebastião da Bela Vista/MG.

·         Fevereiro a agosto de 2010: Pároco da paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Santa Rita do Sapucaí/MG.

·         Setembro de 2010 a maio de 2013: Pároco da paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre.

Ministério Episcopal

·         21/02/2013: Nomeado Bispo de Itabira-Coronel Fabriciano, por Sua Santidade, o Papa Bento XVI.

·         26/05/2013: Sagração Episcopal, em Ouro Fino (MG).

·         16/06/2013: Posse Canônica como 5º Bispo Diocesano da diocese de Itabira-Coronel Fabriciano.

·         16/06/2013: Presidente da Irmandade Nossa Senhora das Dores, em Itabira, por força do Estatuto da Irmandade.

·         14/01/2014: Vice-presidente da FUNCESI-Fundação Comunitária do Ensino Superior de Itabira.

·         05 a 15/04/2016: Nomeado na 54ª Assembleia Geral da CNBB, no Santuário Nacional de Aparecida, Bispo referencial para a Comissão para o Serviço da Justiça, da Caridade e da Paz, no Leste II.

·         04/06/2019: Na Assembleia do Conser Leste II, em Belo Horizonte, nomeado Bispo Referencial da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética deste Regional.

Fonte: Tribuna de Minas – Por Mariana Souza